quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Curuguaty: Policiais liquidaram sem-terra e se mataram entre si

Advogado Ricardo Paredes defende imediata libertação dos camponeses, presos políticos do governo Horacio Cartes

Leonardo Wexell Severo, de Assunção

Em esclarecedora entrevista, o advogado Ricardo Carlos Paredes denuncia a grotesca manipulação no julgamento dos camponeses de Curuguaty, presos políticos no Paraguai por reivindicar a posse desta terra pública tomada durante o governo do ditador Alfredo Stroessner (1954-1989). Nesta semana pudemos ver que à medida em que as testemunhas – até mesmo as de acusação - vão depondo, a verdade vai aparecendo. Os policiais foram mortos com armas de grosso calibre manuseadas por seus dois grupos de elite, a FOPE (Força de Operações da Polícia Especializada) e a GEO Grupo Especial de Operações); os “coquetéis molotov” - bombas artesanais - que a mídia tanto utilizou para falar dos camponeses como “criminosos e delinquentes”, não passavam de lampiões de querosene; e as fatais “armadilhas” mata-soldados nada mais eram do que ratoeiras ou “caça-bobos”, no jargão paraguaio. Uma semana depois do “confronto” de 15 de junho de 2012, em que morreram 11 camponeses e seis policiais, o presidente Fernando Lugo foi deposto a toque-de-caixa. A armação caiu como uma luva para os interesses golpistas, freando o processo de reforma agrária. Evidenciada a farsa, cresce a campanha pela libertação dos presos de Curuguaty.
Abaixo, a íntegra da entrevista.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Vídeo mostra luta dos motoristas crucificados no Paraguai

Trabalhadores foram demitidos por tentar criar Sindicato 

Um vídeo sobre a luta dos motoristas da linha 49 de Assunção, que permaneceram quatro meses crucificados em frente ao Ministério do Trabalho do Paraguai no ano passado, começa a ser divulgado nas redes sociais. Após quatro meses embaixo de lonas, expostos às intempéries e a todo tipo de abusos e repressão, o movimento conseguiu o reconhecimento da entidade.

domingo, 10 de janeiro de 2016

“Matança de Curuguaty foi planejada pelos herdeiros políticos de Stroessner"

Na Cúpula Social do Mercosul, advogado Amélio Sisco denuncia “torturas e execuções de camponeses no Paraguai"

Leonardo Wexell Severo e Nicolás Honigesz, de Assunção
“A matança de Curuguaty, onde morreram 17 pessoas, 11 camponeses e seis policiais, foi planejada pelos herdeiros políticos de Alfredo Stroessner. O objetivo das torturas e execuções dos sem-terra era inviabilizar a reforma agrária e a luta dos movimentos sociais no Paraguai”, denunciou o advogado Amélio Sisco, durante a Cúpula Social do Mercosul, realizada recentemente em Assunção.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Massacre de Curuguaty possibilitou assalto das multinacionais ao poder político no Paraguai”


Denuncia o líder camponês Ernesto Benítez
 
Leonardo Wexell Severo e Nicolás Honigesz, de Assunção
 
Dirigente da Coordenadora de Produtos Agropecuários de São Pedro Norte e destacada liderança do movimento camponês do Paraguai, Ernesto Benítez carrega consigo as marcas de quem nunca se rendeu aos poderosos de plantão. Em 7 de setembro de 1995, foi um dos 21 feridos à bala durante ataque da Polícia Nacional contra manifestantes em Santa Rosa del Aguaray. Na oportunidade foi assassinado Pedro Giménez, de apenas 20 anos. “Os policiais me dispararam com uma escopeta e quase perdi a vida. Tiveram que extirpar uma parte do pulmão”, conta. Em 2003, durante protesto com 16 feridos à bala, em que foi assassinado Eulalio Blanco, Benítez foi levado à Delegacia de Santa Rosa, onde foi torturado por militares e policiais. Na sua avaliação, enquanto não houver reforma agrária e o poder dos grandes produtores de soja e das multinacionais continuar intacto, “não haverá justiça no Paraguai”. Para Benítez, este é o grande nó do embate judicial que cerca o julgamento do massacre de Curuguaty: “se os companheiros saírem livres e fica claro que é uma terra pública, o que entrará em pauta são os 10 milhões de hectares grilados que foram parar nas mãos do latifúndio”. “Outra questão fundamental é que foi com o massacre de Curuguaty que se montou o golpe de Estado e o assalto das multinacionais ao poder político”, frisou. O “confronto” entre 324 policiais fortemente armados com fuzis Galil, escudos, bombas de gás lacrimogêneo, cavalos e helicóptero, e 60 camponeses – metade deles mulheres, crianças e idosos - em Marina Kue, Curuguaty, ocorreu no dia 15 de junho de 2012. O presidente Fernando Lugo foi afastado uma semana depois de um “julgamento” relâmpago. Abaixo, a íntegra da entrevista.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

“Mídia tenta invisibilizar greve e luta por direitos no Paraguai”

Denuncia o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Paraguai, Santiago Ortiz

Leonardo Wexell Severo, de Assunção

No Paraguai, o alto nível de concentração da mídia nas mãos da oligarquia, do capital estrangeiro e do próprio presidente Horacio Cartes atenta contra a democracia. Natural, portanto, que em relação à greve convocada pelas centrais sindicais e movimentos sociais para os próximos dias 21 e 22 de dezembro, a regra seja o silêncio, que é a forma que trata a luta por direitos, denuncia o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Paraguai, Santiago Ortiz. Abaixo, a íntegra da entrevista.

sábado, 21 de novembro de 2015

“Governo Cartes é o que mais se aproxima de Stroessner”

Denuncia Bernabé Penayo, da Federação Nacional dos Taxistas do Paraguai

Leonardo Wexell Severo, direto de Assunção - Paraguai

“Estive preso de 1975 a 1978 acusado de pertencer à Federação Juvenil Comunista e posso dizer que o governo de Horacio Cartes é o que mais se aproxima da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989)”, denunciou o presidente da Federação Nacional dos Taxistas do Paraguai, Bernabé Penayo, se somando à greve geral convocada pelas centrais sindicais, organizações camponesas, estudantis, femininas e comunitárias para dezembro.

domingo, 1 de novembro de 2015

Paraguaios convocam greve em defesa da educação pública

Combate ao privatismo e à precarização une comunidade educacional
Plenária unitária de professores, pais e estudantes denuncia desgoverno Cartes
Leonardo Wexell Severo, de Assunção - Paraguai
Defender a educação pública, gratuita e de qualidade, barrar a precarização das condições de trabalho e as perseguições, garantindo a plena liberdade de organização sindical e de associação estudantil. Com estas bandeiras, aprovadas em plenária unitária realizada em Assunção, professores, pais e estudantes secundaristas e universitários, convocaram uma paralisação nacional para meados de novembro contra o desgoverno neoliberal do presidente Horacio Cartes.