quinta-feira, 31 de outubro de 2013

“Às vésperas da eleição, governo de Honduras usa mídia para acelerar as privatizações”


Denuncia Marwin Gomez, presidente do Sindicato dos Portuários de Honduras, condenando a “concessão de portos, aeroportos e rodovias aos estrangeiros”

Leonardo Severo - de Puerto Cortés, Honduras
Marwin condena desnacionalização do porto

Às vésperas do processo eleitoral que elegerá no dia 24 de novembro o futuro presidente de Honduras, os 128 deputados ao Congresso e as 298 administrações municipais, o governo de Porfírio Lobo usa e abusa dos grandes conglomerados de comunicação para acelerar a desnacionalização da economia. Aplicando o receituário ditado pelo FMI e pelo Banco Mundial, os neoliberais estruturaram uma empresa, a Comissão da Aliança Pública e Privada (Coalianza), para gerir a “concessão” de rodovias, portos e aeroportos – entre outros valiosos bens - aos estrangeiros. No caso de Porto Cortés, por onde passam 95% das exportações e importações hondurenhas, Coalianza “licitou” o terminal de contêineres e de carga, entregando no dia 1º de fevereiro, por três décadas, seu filé para a International Container Terminal Services Incorporated (ICTSI). De acordo com Marwin Alberto Gomez, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Nacional Portuária, “não há nenhum sentido em repassar ao capital estrangeiro a parte mais lucrativa de Porto Cortés, que responde por cerca de 80% das entradas, pois isso inviabilizaria o Estado”. “Essa medida entreguista, potencializada por uma ampla campanha midiática”, alertou Marwin, busca se antecipar à virtual eleição da oposicionista Xiomara Castro de Zelaya, do Partido Livre (Liberdade e Refundação) e esposa do ex-presidente Manuel Zelaya - sequestrado e deposto em 2009 por um golpe armado pelos EUA - favorita em todas as pesquisas de intenção de voto. “O governo vendeu a ideia, através dos meios de comunicação, de que a privatização era uma solução para modernizar, para impulsionar e levar adiante a empresa nacional portuária. Tivemos encontros com os companheiros do Partido Livre, onde reiteramos a necessidade de pôr fim à privatização. Esse é um processo completamente viciado, contrário ao interesse nacional. Se houvesse Justiça em Honduras, ele já estaria anulado”, enfatizou o líder portuário. Desde o golpe contra Zelaya – que ficou exilado na embaixada brasileira na capital, Tegucigalpa - a oposição nacionalista expressa pela imprensa alternativa foi confrontada à bala pelo governo, o que deixou um saldo de 26 jornalistas assassinados. Abaixo, a íntegra da entrevista feita com Marwin no alto da torre de observação do Porto. Que estava com o elevador danificado.
 
Viajando por Honduras, no giro pelas ruas de Tegucigalpa, San Pedro Sula e agora Porto Cortés, pudemos ver uma intensa campanha em favor do candidato oficialista, o atual presidente do Congresso, Juan Orlando Hernandez, e da privatização. Há uma batalha política e ideológica muito latente, que se acentua com a proximidade das eleições do próximo dia 24. Como liderança sindical, qual a sua avaliação?
 
O governo vendeu a ideia, através dos meios de comunicação, que a privatização era uma solução para modernizar, para impulsionar e levar adiante a empresa nacional portuária. Desconsiderou que o Sindicato havia proposto um plano de desenvolvimento para o porto, financiado através da emissão de bônus por meio da qual a empresa ia modernizar suas instalações e, ao mesmo tempo, gerar os recursos necessários para pagar esses empréstimos. Às vésperas da eleição o governo usou a mídia para acelerar a privatização. É uma medida entreguista potencializada por uma ampla campanha midiática. Não há nenhum sentido em repassar ao capital estrangeiro a parte mais lucrativa de Porto Cortés, que responde por cerca de 80% das entradas, pois isso inviabilizaria o Estado.
 
Todas as pesquisas neste momento apontam para uma vitória da candidata oposicionista, Xiomara Castro de Zelaya, do Partido Livre, que tem se posicionado em defesa da soberania nacional. As privatizações/concessões a toque de caixa refletem o desespero dos neoliberais?
 
Tivemos encontros com os companheiros do Partido Livre, onde reiteramos a necessidade de pôr fim à privatização pois entendemos que esse é um processo completamente viciado, contrário ao interesse nacional. Na verdade, se houvesse Justiça em Honduras, esse processo entreguista   já estaria anulado pelos tribunais.
 
Como está a luta contra a privatização de Porto Cortés?
 
Porto Cortés é a porta de entrada e saída do país, responde por 95% das nossas importações e exportações, o que faz dele o porto mais importante de Honduras e um dos mais estratégicos da América Central. É a porta de Honduras para o mundo, trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana. O seu tipo de baía, natural, abrigada, protegida pelas cordilheiras, lhe garante um mar calmo. Não temos problemas de maré e de nenhuma índole, mantendo estável o calado, a profundidade da baía. Estamos mobilizados em defesa de um patrimônio que é de todos os hondurenhos.
 
A economia hondurenha depende diretamente do  tráfico marítimo que passa por Porto Cortés. Por que privatizar?
 
É esta pergunta, este questionamento que estamos fazendo nós trabalhadores e toda a população. Por que privatizar Porto Cortés se ao longo da sua história de 48 anos ele tem sido uma das empresas estatais mais rentáveis, contribuindo para a economia, ajudando a todos os governos de plantão. Hoje é uma joia preciosa para a onda de privatizações impulsionada pelo presidente Lobo. Ao contrário da privatização, defendemos um plano estratégico para desenvolver a sua estrutura, para acelerar o desenvolvimento do país, porque nos encontramos no porto que abre as portas do mundo a Honduras.
 
Tentam entregar o filé e deixar o Estado com o osso. Qual o papel da Coalianza nisso tudo?
 
Quero fazer uma pequena introdução. Essa empresa portuária gera 1,6 bilhão de lempiras ao ano [cerca de 80 milhões de dólares]. Destes, dá ao governo cerca de 400/500 milhões de lempiras [de 20 a 25 milhões de dólares]. Falar de Coalianza é algo preocupante para os trabalhadores, porque o que ela veio fazer é praticamente entregar as empresas rentáveis do Estado. Criaram uma associação pública-privada com o único objetivo de entregar as empresas lucrativas, as que não necessitam de investimento. Por isso tais parcerias têm vindo para empobrecer cada vez mais a economia do país, esvaziando o estado.
 
A privatização tem seus derivativos: terceirização, arrocho e precarização. Como o Sindicato tem enfrentado esta lógica perniciosa e regressiva?
 
Denunciei o processo de privatização e de corrupção, mas como o Ministério Público está praticamente corrompido, a favor do governo, foi interposto um processo legal contra mim. Uma chantagem jurídica para que retirássemos a denúncia. Assim, tenho proibições até de sair do país. Querem calar a boca de quem denuncia para manter a ilegalidade impune. Além da ação na Justiça e das articulações políticas para barrar a privatização, temos nos movimentado bastante. Nosso Sindicato está se transformando para fortalecer sua organização a fim de beneficiar o conjunto dos trabalhadores do setor. Para nós é fundamental investirmos na autorreforma sindical. Nossa concepção é de que precisamos evoluir de um Sindicato de base, representativo somente de um setor, de uma categoria profissional, para convertê-lo numa entidade de todos os trabalhadores dos transportes, seja marítimo, aéreo ou rodoviário, a nível nacional. Isso ampliará o nosso poder de fogo, nos dará mais capacidade para defender o interesse dos trabalhadores. Com um Sindicato forte, teremos a maior quantidade de direitos possível.
 
Há muita gente ainda no porto literalmente “a ver navios” em relação aos direitos sociais e trabalhistas.
 
No setor portuário há aproximadamente três mil trabalhadores, muitos que entregaram toda sua vida ao porto, mas que nunca receberam o que é seu de direito. Agora passarão a ter compensações sociais, seguridade social, benefícios médicos e econômicos.  Estamos empenhados para que quando haja uma nova fonte de emprego no setor portuário, em primeiro lugar se busque as entidades dos trabalhadores. Em segundo lugar queremos garantir a proteção desses companheiros e para isso é preciso que sejam representados por uma organização, para que não cheguem em desvantagem frente aos novos empregadores. Em terceiro lugar queremos a vigência do movimento organizado. Isso é essencial para enfrentar os novos desafios que, no caso de Honduras, se chama privatização.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Juan Barahona: “Privatizações e concessões são câncer neoliberal a ser extirpado em Honduras”


Barahona, líder da Frente Nacional de Resistência Popular
Leonardo Wexell Severo, de Tegucigalpa – Honduras

Presidente da Federação Unitária dos Trabalhadores de Honduras (FUTH) e candidato a vice-presidente pelo Partido Liberdade e Refundação (Livre), Juan Barahona defende o fortalecimento do papel do Estado como “essencial para a nação e para a integração da região”, assim como é “a afirmação da garantia de direitos dos trabalhadores para a ruptura com a lógica neocolonial”. A mobilização por uma Assembleia Nacional Constituinte, acredita, é chave para garantir a realização das reformas estruturais, redistribuindo poder e riqueza. “Estamos convictos de que, hoje, nosso partido tem todo o respaldo do povo hondurenho em sua luta para construir a pátria livre e independente. Somamos a experiência da unidade e da organização popular com a consciência da justiça das nossas aspirações”, sublinhou. Barahona liderou a Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) contra o golpe promovido pela oligarquia e pelos Estados Unidos que depôs o presidente Manuel Zelaya em 2009. Atualmente integra a chapa de Xiomara Castro de Zelaya, combatente nacionalista, anti-imperialista e esposa do líder, favoritíssima em todas as pesquisas para as eleições de 24 de novembro.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

“TLCs são como butim da Guatemala para as multinacionais dos EUA e da Europa”


Leonardo Wexell Severo

Afirma Daniel Pascual Hernandez, coordenador geral do Comitê de Unidade Camponesa (CUC) da Guatemala, denunciando que com a assinatura dos Tratados de Livre Comércio, as embaixadas se converteram em escritórios comerciais das multinacionais. “É na presidência que está o butim de guerra, o centro das negociações das concessões, da privatização do patrimônio público”, condenou.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Guatemala: campo de provas e de extermínio dos EUA e Israel

Leonardo Wexell Severo

Nos muros da capital guatemalteca, o clamor por Justiça. Foto: Joka Madruga
“Na Guatemala, o terror se transformou num espetáculo: soldados, comissionados e patrulheiros civis estupravam as mulheres diante dos maridos e dos filhos. O zelo anticomunista e o ódio racista se disseminaram no desempenho da contrainsurgência. As matanças eram inconcebivelmente brutais. Os soldados matavam crianças, lançando-as contra rochas na presença dos pais. Extraíam órgãos e fetos, amputavam a genitália e os membros perpetravam estupros múltiplos e em massa e queimavam vivas algumas vítimas”.

O relato extraído do livro “A revolução guatemalteca”, (Greg Grandin, Editora UNESP, 2004), descreve os pormenores da política de terrorismo de Estado promovida pelos governos dos EUA – com apoio de Israel - contra os movimentos de resistência da nação maia nos anos 70 e 80.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Foster Dulles, a mídia e a invasão da Guatemala

Uma reflexão sobre a guerra de extermínio movida pelos EUA, sua mídia e demais eunucos contra o governo anti-imperialista de Jacobo Arbenz.
Por Leonardo Wexell Severo

 “A experiência da Guatemala constitui um verdadeiro arsenal de exemplos de luta anti-imperialista para os nacionalistas de todo o mundo”
Osny Duarte Pereira
Um dos principais acionistas da United Fruit, John Foster Dulles era também – ou por isso mesmo - o secretário de Estado do governo norte-americano no início dos anos 50 quando o presidente da Guatemala, Jacobo Árbenz, decidiu via reforma agrária levar a justiça ao campo e à cidade.
O pequeno país centro-americano foi atacado para defender o interesse do secretário de Estado, que acusava o berço da civilização maia de ser uma “ameaça à paz e à segurança do Hemisfério. Da mesma forma que na guerra do Iraque foram injetados montanhas de bilhões de dólares na empresa do então vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, o principal beneficiado pela invasão. Nas duas sangrentas agressões à soberania nacional e aos direitos de todo um povo, os meios de comunicação atuaram como correia de transmissão política e ideológica do imperialismo. O livro de Plínio de Abreu Ramos, “Foster Dulles e a invasão da Guatemala” (Editora Fulgor, 1958) fala sobre a primeira intervenção ianque no continente após a guerra fria.
No prefácio, o professor e jurista Osny Duarte Pereira dá o seu testemunho sobre o que moveu a ira da United Fruit e sua “guerra de extermínio contra um governo”. “Lembro-me nitidamente e jamais me sairá da memória a comoção que me causou, uma fila de lavradores nos guichês da Repartição da Reforma Agrária, recebendo as escrituras de seus terrenos. Homens do campo, condenados perpetuamente à condição de peões, subitamente levados à condição de proprietários das terras, nas quais eram trabalhadores assalariados. Era necessário assistir à cena das fisionomias daquela gente humilde, segurando os documentos com as duas mãos, olhos arregalados, um sorriso largo e, em seguida, abraçaram-se efusivos, despedindo-se da odiosa situação de antigos servos da gleba que eram antes. Parecia uma cena de distribuição de diplomas em festa de formatura, embora se realizasse, como um ato de rotina da repartição governamental, em hora normal de expediente normal, sem discursos, nem aglomerações”.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Argentina e Ley de Medios: O paradigma da liberdade de expressão

Buenos Aires – Hoje é professor titular de Direito à Informação. Começou em 1987 como monitor e em poucos meses já participava em uma mesa redonda sobre um tema: “É necessário mudar a Lei de Radiodifusão?”. Era o governo de Raúl Alfonsín e se estava discutindo o projeto do Conselho de Consolidação da Democracia. Membro da direção do Centro de Estudos Legais e Sociais, Damián Loreti dialogou com Página/12 após sua participação na audiência convocada pela Corte Suprema da Argentina antes de resolver o litígio interposto pelo Grupo Clarín sobre artigos da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual.

Martín Granovsky – Página/12
Tradução: Liborio Júnior

terça-feira, 30 de julho de 2013

Porto Quetzal: assassinato sob encomenda para privatização

Santiago, Lázaro e Francisco: unidade e mobilização

Em meio à violenta e sangrenta repressão antissindical, governo de Otto Pérez Molina entrega ao capital estrangeiro o futuro do principal porto da Guatemala

Texto: Leonardo Wexell Severo
Fotos: Joka Madruga


Em Puerto Quetzal, no litoral Pacífico, tivemos contato com a luta – árdua e sangrenta - do movimento sindical da Guatemala contra o governo do presidente Otto Pérez Molina, reconhecido como “major Tito Árias”, ex-parceiro de armas do genocida Ríos Montt nos anos 80.
Localizada a 98 quilômetros da capital, a principal estrutura portuária guatemalteca envolve cerca de cinco mil trabalhadores e movimenta mais de metade das mercadorias que entram e saem do país maia. Devido à sua infraestrutura, localização e proximidade, tem papel relevante para a região, principalmente em relação às cargas em direção a Belize, El Salvador, Honduras e Nicarágua. A relevância  estratégica do porto é facilmente explicada: os outros dois ficam no Atlântico, o de Cobigua, pertencente à multinacional bananeira estadunidense Chiquita Brands, e o de Santo Tomás de Castilla, estatal, mas que é somente pesqueiro.
O movimento comercial crescente na última década, entre 6% e 10% ao ano, tem movido as multinacionais a realizarem influentes e bem remuneradas “gestões” junto às autoridades pela privatização do Porto de Quetzal. Para potencializar os lucros, as empresas acionaram os aprendizes de Luciano Coutinho. O objetivo é que a desnacionalização seja feita com o maior aproveitamento de recursos públicos possível, travestindo o neoliberalismo da privatização em “usufruto” ou “concessão”. Retirados da cartilha do FMI, os apelos em prol da “modernização” e da “eficiência” de um “porto lento” em que “as filas prejudicam o país” são repetidos à exaustão, utilizando-se da mídia para identificar a defesa do patrimônio público nacional como “corporativismo” e a alienação da soberania como “progresso e desenvolvimento”.
Porto movimenta mais da metade das 
mercadorias que entram e saem da Guatemala
Com a bússola virada para o Norte, seja Estados Unidos ou Europa, o governo tem respondido aos sucessivos protestos da população com bastante agilidade. A criminalização dos movimentos sociais mobiliza tropas do exército para proteger os interesses do capital estrangeiro nas bananeiras e mineradoras. O mesmo acontece agora na enorme parte do porto que acaba de ser repassada em “usufruto” por 25 anos. Para prorrogar este prazo por outro período igual, a empresa necessitará tão somente enviar uma “solicitação” com três meses de antecedência.

SABOTANDO A CONCORRÊNCIA

Tamanha identidade com a nação (dos outros) fez com o governo disponibilizasse 348.341 metros quadrados de porto, com sua saída ao mar, à Empresa Terminal de Contêineres Quetzal (TCQ), companhia inscrita na Guatemala, mas cuja matriz – driblando a lei local - está na Espanha. Vale lembrar que tal “consórcio”, liderado pela subsidiária da Terminal de Contêineres de Barcelona (TCB), foi constituído em abril deste ano com ridículos cinco mil quetzales – o equivalente a US$ 680,00. Atualmente o porto gera anualmente ao Estado cerca de 100 milhões de quetzales, o que representa 20% dos ingressos brutos do Estado, aponta a Superintendência de Administração Tributária (SAT).
A fim de colocar uma pá de cal na concorrência, o lado privado sai na frente para converter-se em porto “hub”, ao qual chegam navios de longo percurso que descarregam suas mercadorias para serem redistribuídas em trajetos mais curtos. Com 15 metros de calado contra 11,5 metros do porto público, o privado ganhará em profundidade os metros que faltarão ao “concorrente”, com a anuência e sabotagem da atual administração para receber as maiores e mais lucrativas embarcações, denunciam os sindicatos.
Para que tamanho atropelo fosse consumado, muito sangue correu, gente morreu, foi perseguida e demitida. O assassinato de Júlio Peña, dirigente dos trabalhadores da estiva, em janeiro deste ano, e a onda de demissões de lideranças que se seguiu aos tiros que o abateram são expressões do fascismo ainda vigente. Da mesma forma que as ameaças aos que persistiram em estruturar uma entidade sindical de representação desta mão de obra nas empresas privadas integram a extensa jornada de resistência.

100 BALAS PARA PEDRO ZAMORA

Carro do sindicalista foi cravejado de balas
No dia 15 de janeiro de 2007, após inúmeras ameaças de morte, Pedro Zamora, então secretário geral do Sindicato de Trabalhadores da Empresa Portuária Quetzal (Stepq), teve seu carro alvejado por mais de cem disparos quando retornava para casa com os dois filhos. “Ele se jogou sobre as crianças para protegê-las, recebendo 17 balaços. O filho menor, de apenas três anos, foi baleado mas sobreviveu. Para ter certeza da conclusão do ‘serviço’, um dos matadores se aproximou do veículo e disparou no rosto de Pedro”, conta Arturo Granados, do Sindicato Unido dos Trabalhadores (Sutraporquet).
Na avaliação de Granados o alvo era claro: silenciar uma voz de combate à privatização do porto, que ecoava denunciando as demissões arbitrárias, “mobilizava contra os atropelos na negociação do Pacto Coletivo de Trabalho e toda e qualquer violação aos direitos dos trabalhadores”.
A atrocidade ganhou repercussão nacional e internacional, fazendo com que os entreguistas de turno recuassem do seu objetivo privatizante. No dia 12 de fevereiro daquele ano os nove trabalhadores do Stepq, demitidos ilegalmente pela empresa portuária, foram recontratados e reintegrados com os mesmos cargos e salários. De lá para cá, mais do que um símbolo de eficiência, Puerto Quetzal é sinônimo de resistência e unidade da classe trabalhadora não só da Guatemala, como de toda a América Central. A experiência reuniu as três entidades sindicais da empresa, que passaram a atuar conjuntamente, superando eventuais divergências.

GOVERNO MANCHADO DE SANGUE

A unidade sindical também é um dos motores do Movimento Sindical e Popular Autônomo da Guatemala, que reúne a Confederação de Unidade Sindical (CUSG), a Central Geral de Trabalhadores (CGTG), a União Sindical de Trabalhadores (Unsitragua) e o Movimento de Trabalhadores Camponeses e Camponesas de San Marcos (MTC), que têm comandado as mobilizações contra o entreguismo do governo Pérez Molina.
“Não são só os sindicalistas as vítimas do uso e abuso da repressão, mas o conjunto dos movimentos sociais, os camponeses, os estudantes, todos os que se confrontam com o interesse da oligarquia que age em sintonia com o governo dos Estados Unidos”, alertou Júlio Coj, da direção da Unsitragua. A submissão aos “interesses econômicos e à geopolítica estadunidense” vem de longe, tendo se explicitado com a atuação ianque na deposição do governo nacionalista de Jacobo Árbenz, deposto por um golpe orquestrado pela CIA em 1954. Posteriormente, ganhou magnitude – e apoio israelense - na longa noite de terror entre 1960 e 1996, com pelo menos 250 mil mortos e desaparecidos, conforme levantamento da ONU.
Mynor Siajes e Francisco Javier: defesa
 dos direitos e da soberania nacional
Lázaro Reyes, atual secretário geral do Stepq, lembra que Pérez Molina tem sua trajetória e seu governo “manchados pela violência”. “Em Totonicapán em 4 de outubro do ano passado uma comunidade que protestava contra o aumento da energia elétrica teve oito manifestantes assassinados e dezenas de feridos pelo Exército”, recordou Lázaro, frisando que “não há conflito que esse governo resolva na mesa de negociação”. Pelo contrário, disse, “Molina nunca busca o diálogo, quer sempre resolver qualquer assunto mandando soldados. Ele tem o exército metido em sua cabeça”.
“No tempo de Ríos Montt, sentenciado por genocídio, o exército se posicionava para exterminar a oposição, para que as pessoas trabalhassem em estado de escravidão. Pérez Molina era militar na época e adotava métodos similares, sendo conhecido pelo seu pseudônimo de comandante Tito Arias”, recordou Lázaro Reyes. Diante dos recentes protestos contra a privatização, apontou o sindicalista, além da polícia, o governo enviou tropas especiais, forças da Guarda Naval e dos paraquedistas. “É um governo que para atacar a soberania e blindar o capital se utiliza da força, ignorando qualquer ordenamento jurídico”, acrescentou Mynor Siajes, secretário de Organização do Stepq.

TESTEMUNHA DA MATANÇA

Entre as inúmeras testemunhas de acusação que se pronunciaram no julgamento de Ríos Montt pela organização de pelo menos 16 matanças coletivas de 1.771 indígenas, ganha relevo o depoimento de Hugo Bernal. Mecânico do Corpo de Engenheiros do Exército em uma unidade do noroeste do departamento de Quiché, entre 1982 e 1983, Bernal assegurou que “sob ordens do major Tito Arias, hoje conhecido como Otto Pérez Molina, os soldados coordenavam a queima e o saque das pessoas". Servindo no quartel militar El Pino, no povoado de Nebaj – município que integra o Triângulo Ixil – ele relatou que “houve execuções na companhia militar”, sendo Molina um dos mandantes do massacre desta etnia. O ex-coladorador do Exército afirmou ter presenciado grande quantidade de indígenas serem levados por soldados. Quando retornavam, atestou, “vinham feridos, com a língua cortada, as unhas arrancadas e eram executados pelos militares". “As pessoas eram transferidas, mulheres e crianças. Quando as execuções aconteciam em El Pino, os oficiais encarregados eram que os matavam e sepultavam clandestinamente", informou.
De acordo com o dirigente do Sindicato de Trabalhadores Organizados da Portuária Quetzal, Francisco Javier Reyes Navarrete, frente a tantos e tão reiterados abusos, a aliança entre as três entidades sindicais que atuam no porto “é essencial para enfrentar o sistema neoliberal que atenta contra o interesse nacional”. Ele lembra que o processo de dilapidação do patrimônio público no local tem seu antecedente histórico nas concessões de operações de grua e na transferência dos trabalhos da estiva. Assim, embora trabalhem no local milhares de pessoas, apenas 745 são fixas, “ficando as demais em situação extremamente vulnerável, para não dizer precária”. “Não podemos tapar o sol com um dedo: concessão é privatização. Nós estamos defendendo o patrimônio que é de todos, o futuro dos nossos filhos e netos, o futuro do nosso país”, assinalou.
Francisco lembra que o governo tem respondido às inúmeras denúncias interpostas pelo movimento sindical sobre a agressão aos direitos humanos com ameaças, “nos chamando de terroristas e de narcotraficantes, fazendo de tudo para intimidar”. “Júlio Peña foi assassinado e vários dos companheiros do seu Sindicato foram demitidos e proibidos de ingressar no porto. Para que recebessem o que era devido tiveram que desistir das denúncias que apresentaram no Ministério do Trabalho. A impunidade é o que alimenta o crime na Guatemala. Infelizmente, há muito tempo”, frisou. 

domingo, 21 de julho de 2013

Desnutrição e deseducação na Guatemala: o fruto podre “made in USA”

Filho de trabalhadores rurais, menino teve a escola destruída
duas vezes com apoio do governo. Foto: Leonardo Severo  
Monica Fonseca Severo *


A cada dia nascem na Guatemala 1.200 crianças, das quais 1.067 sobreviverão. Pelos efeitos da desnutrição, 591 destas terão comprometida sua capacidade cognitiva e passarão fome no país exportador de alimentos

terça-feira, 9 de julho de 2013

TLC amplia fome, miséria e dependência da Guatemala com os EUA

Trabalhadoras da multinacional estadunidense Del Monte

Ao completar sete anos de vigência, Tratado de Livre Comércio devasta social e economicamente o país centro-americano

Leonardo Wexell Severo -  ComunicaSul, Guatemala

O Tratado de Livre Comércio (TLC) firmado entre os Estados Unidos e a Guatemala completou sete anos de vigência no dia 1º de julho, estampando as chagas da desnutrição, da miséria e da dependência da nação maia. Ao se ver estimulado a exportar produtos primários com baixo ou nenhum valor agregado – como açúcar, artigos de vestuário, café, pedras e metais, banana e bebidas – o país também acumula sucessivos e crescentes déficits em sua balança comercial com o decadente Império.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Equador aprova lei que democratiza a comunicação


A Assembleia Nacional do Equador aprovou, nesta sexta-feira (14), o projeto de lei que regulamenta e democratiza a comunicação no país. Com 108 votos a favor, 26 contra e apenas uma abstenção, a Ley Orgánica de Comunicación promove a redistribuição do espaço radioelétrico e a universalização do acesso aos meios e às tecnologias da informação, além de financiar os sistemas públicos e comunitários do setor.

terça-feira, 11 de junho de 2013

ComunicaSul viaja à Guatemala para cobrir crimes antissindicais

Rede de comunicação colaborativa coletará informações e testemunhos sobre assassinatos de lideranças dos trabalhadores e violência, embalada pela impunidade


Coletivo é integrado por jornalistas,
cinegrafistas e fotógrafos
da mídia alternativa.
A Rede de Comunicação Colaborativa ComunicaSul viajará à Guatemala entre os dias 29 de junho e 7 de julho para dar visibilidade à onda de assassinatos de lideranças dos trabalhadores, à repressão e à perseguição às suas entidades. A solicitação foi feita pela Confederação Sindical Internacional (CSI) e pela Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), que definiram 2013 como “Ano Internacional de Solidariedade à Guatemala”. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Revolução Bolivariana transforma cena cultural da Venezuela

O teatro Teresa Carreño, construído nos tempos em que a Venezuela era conhecida por ter a Caracas Saudita – em alusão à abundância dos recursos do petróleo — é uma metáfora da cultura no país. Outrora proibido para o público geral, o teatro da era Chávez é cenário de atos públicos, shows gratuitos e de democratização cultural. Comunista e “cultor”, o ator Antonio Machuca é um dos militantes deste projeto de cultura revolucionária.

Por Vanessa Silva, de Caracas 

Machuca, durante ato de apoio à candidatura de Maduro no
Teresa Carreño no começo de abril
Ator desde os 15 anos, Machuca é famoso por suas participações em inúmeras novelas nos anos 1980/90, mas, ao ver seu país sacudido pela revolução comandada por Hugo Chávez, resolveu participar do processo ativamente. Sua posição política passou então a incomodar os meios privados para as quais trabalhava. Incompreendido, saiu dos estúdios e voltou para o teatro, onde começou. 

domingo, 28 de abril de 2013

Possibilidade de fraude nas eleições da Venezuela é de uma em 25 sextilhões


É o que revela um estudo feito pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (CEPR, sigla em inglês) com sede em Washington (DC), Estados Unidos


Jônatas Campos, para o Comunicasul

A possibilidade de ter havido fraude na contagem dos votos nas eleições do último 14 de abril na Venezuela é praticamente impossível. Ou melhor, é de 1 em 25 sextilhões ou 1 em 2521. O número pode assustar, mas essa é a conclusão a que chegou o Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (CEPR, sigla em inglês), com sede em Washington (DC), Estados Unidos. O CEPR fez uma análise estatística sobre a possibilidade de problemas em urnas que não foram auditadas influenciarem nos resultados que deram vitória ao presidente Nicolás Maduro sobre Henrique Capriles por uma diferença de pouco mais de 273 mil votos.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Luis Britto García: Direita pode estar cometendo suicídio na Venezuela

"Na Venezuela tivemos a sorte de que o aviso popular não
foi acompanhado de uma derrota eleitoral"
Considerado um dos maiores intelectuais da Venezuela, o escritor, ensaísta, dramaturgo e pintor, Luiz Britto García, é um dos maiores pensadores do país. Em entrevista ao ComunicaSul, o escritor nega que morte de Hugo Chávez represente o fim do chavismo, ressalta a importância da vitória de Nicolás Maduro e diz ser necessário refletir sobre os motivos que levaram ao crescimento da oposição no país.

Por Vanessa Silva, de Caracas

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Venezuelanos dizem ‘não’ à violência da direita e saem às ruas

"A mobilização é uma característica do povo bolivariano”,
diz deputada Tania Díaz/ foto: AVN
A Venezuela clama por unidade. Os últimos discursos do presidente Nicolás Maduro evidenciam a necessidade de que é preciso construir um país “democrático, com base no respeito, na convivência, e na solidariedade”. Nesta quinta-feira (25), movimentos sociais de diferentes organizações realizam uma mobilização para apoiar Maduro e rechaçar a violência da oposição que deixou nove mortos e 78 feridos entre 15 e 16 de abril.

Por Vanessa Silva, de Caracas


O ministro de Interior e Justiça, Miguel Rodríguez Torres, informou, nesta quinta (25), que um homem de nacionalidade estadunidense, que estaria relacionado com os atos violentos gerados pelos grupos de direita em todo o país, foi capturado. De acordo com o ministro, é possível que este homem tenha ligações com alguma organização de inteligência porque “detectamos que tem preparação nesta área”. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Piedad Córdoba: Saída para Colômbia é a integração; sozinhos não podemos

A Colômbia vive um momento histórico de diálogo entre o governo e as Farc. Mobilizada, esta sociedade vive um intenso debate e participação em torno dos Diálogos de Paz. Para a ex-senadora, Piedad Córdoba, em entrevista ao ComunicaSul, “os colombianos não conseguem encaminhar este processo sozinhos”, daí a importância do apoio de países como Brasil, Cuba, Venezuela e de eventos como o Fórum pela Paz na Colômbia.


Por Vanessa Silva e Leonardo Wexell Severo, de Caracas


"Fórum pela Paz na Colômbia é muito importante porque o apoio internacional é definitivo não só para a Colômbia, mas para toda a região", diz Piedad Córdoba/ Foto: Joka Madruga - ComunicaSul

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Venezuela festeja primeiro presidente trabalhador e chavista

“Só no socialismo é possível dar paz e dignidade ao povo”. Mais que uma retórica, a expressão, vinda do primeiro presidente trabalhador e chavista da Venezuela, Nicolás Maduro, é um convite à ação. Em seu discurso, o mandatário afirmou que em seu governo será feita a revolução dentro da revolução, fazendo um chamado à eficiência e ao combate à corrupção. A festa começou nas primeiras horas do dia e seguiu, noite adentro, com queima de fogos e músicas revolucionárias.

Por Vanessa Silva, de Caracas
Maduro jura lealdade à Constituição
 Sinal de que não está sozinho e que tem respaldo popular e dos presidentes progressistas da região, o chamado de Maduro foi atendido 61 presidentes e delegações de diversos países e por milhares de pessoas que novamente foram às ruas, mas desta vez, para celebrar a eleição do presidente herdeiro do legado de Hugo Chávez.

Em cinco meses, o povo jurou fidelidade e amor ao processo revolucionário do país três vezes. A primeira quando, estando Hugo Chávez em Cuba para tratamento de um câncer na região pélvica, o povo, nas ruas, jurou perante à Constituição e teve início o último e efêmero mandato de Chávez, interrompido por ocasião de sua morte, quando novamente os venezuelanos juraram que honrariam seu legado e elegeriam Nicolás Maduro. Nesta sexta-feira (19), perante a Assembleia Nacional, Maduro se juramentou tendo ao seu lado o mesmo povo bolivariano que em 1998 elegeu Hugo Chávez pela primeira vez.

Presidente de uma democracia participativa, Maduro sabe que o povo é seu maior capital e prometeu “aprofundar o modo de vida socialista por meio das comunas, da sociedade organizada, dos sindicatos, com solidariedade e respeito” e ressaltou a importância da cultura no processo de transformação que vive o país: “queremos um povo culto, com cultura e que seja capaz de fazer crítica e autocrítica”.

E chamou à unidade nacional: “aos que votaram contra o candidato da pátria, eu faço um chamado. Quero trabalhar com você, eu vou percorrer o país. Quero escutar suas razões: classe média, estudantes, trabalhadores, empresários, investidores (…) chamo a todas as pessoas, os políticos da oposição. Os convido para conversar nos diferentes cenário que possam ter e estou disposto a conversar (…) estou disposto a conversar até com o diabo, que Deus me perdoe”.

O ex-motorista jurou que trabalhará para “dar a maior soma de felicidade possível a nosso povo, seguir construindo o socialismo bolivariano e continuar o legado de Hugo Chávez Frías (...) até que o povo da Venezuela termine de ser um povo devidamente livre". Esses avanços, disse o ex-chanceler, “só são possíveis no socialismo. Se não transcendermos o capitalismo, voltaremos para o fundo do poço”. E colocou como meta de seu governo erradicar completamente a pobreza e a miséria até 2019, quando termina seu mandato.

“Uma pátria de felicidade, independente e socialista para todos e todas. Eu juro!”


Foto: Prensa Miraflores
Nicolás Maduro é empossado presidente da Venezuela e convoca a “uma revolução dentro da revolução”. O chavista foi juramentado pela Assembleia Nacional na presença de 61 delegações internacionais, entre elas a do Brasil, liderada por Dilma Rousseff. Durante seu discurso, Maduro foi surpreendido por uma invasão.

Vinicius Mansur, de Caracas, Venezuela

Venezuela dá posse a Maduro no dia de seu aniversário de independência

Foto: Joka Madruga / Terra Livre Press

O presidente eleito será juramentado pela Assembleia Nacional e, em seguida, participará de um desfile cívico-militar que comemorará também o 203º aniversário de independência do país. A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, presenciará o ato. As ruas do centro de Caracas já estão repletas de apoiadores de Maduro.

Vinicius Mansur, de Caracas, Venezuela 

Venezuela auditará 100% dos votos da eleição presidencial

Foto: AVN

Órgão eleitoral irá auditar os 46% dos votos que ainda não foram auditados. “O Poder Eleitoral toma essa decisão para preservar um clima de harmonia entre venezuelanas e venezuelanos, mas também para isolar setores violentos  que buscam irresponsavelmente lesionar a democracia”, diz presidenta do CNE.

Vinicius Mansur, de Caracas, Venezuela

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Capriles aceita auditoria do CNE

As peças estão se encaixando para que Venezuela, ao menos, retome uma agenda cotidiana menos impregnada pelo debate político-eleitoral. Na noite desta quinta-feira (18), o candidato derrotado Henrique Capriles Radonski aceitou o anúncio do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de fazer auditoria nos 46% restantes das caixas de depósito dos votos. A decisão do CNE foi aguardada pelo candidato da Mesa da Unidade Democrática (MUD) que, logo depois, realizou uma coletiva de imprensa.

Jonatas Campos, Caracas - Venezuela

Nicolás Maduro recebe apoio internacional e oposição perde força


Isolado, Capriles Radonski tem apoio de ONGs e dos Estados Unidos

Jonatas Campos, Caracas - Venezuela

A reunião de hoje (18) da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), com a presença das presidentas do Brasil e Argentina e dos presidentes do Uruguai, Chile e Bolívia, deve respaldar a vitória do presidente, Nicolás Maduro. O próprio Maduro estará na reunião. Amanhã (19), espera-se aqui na Venezuela, na juramentação do presidente eleito, um total de 50 lideranças, entre chefes de Estado, primeiros-ministros e chanceleres. Enquanto isso, por todo país coletivos e organizações populares continuam em alerta, assim como associações empresariais já pedem que o país siga em frente.

Aram Aharorian: Imprensa estrangeira cria uma Venezuela virtual

 Apesar da aposta de que com a morte do presidente Hugo Chávez a Revolução Bolivariana teria seus dias contados, o que se vê na Venezuela é um forte apoio popular aos projetos iniciados em 1998. Tanto que Henrique Capriles só conseguiu obter 48,97%% dos votos porque incorporou boa parte da retórica chavista, inclusive defendendo o comandante morto. Em entrevista ao Comunicasul, o fundador da TeleSur, Aram Aharorian, avalia os caminhos do Socialismo do Século 21.

Por Vanessa Silva, de Caracas

Aram Aharoniram avalia situação na Venezuela e critica 
cobertura feita pela imprensa/ Foto: Vanesa Silva

Reunião da Unasul abordará eleições na Venezuela

Jonatas Campos, Caracas - Venezuela
com informações da Agência Brasil


A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se reune houje (18) em Lima, capital do Peru. O assunto será a tensão na Venezuela, em decorrência dos protestos da oposição em não aceitar os resultados emitidos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Segundo a Agência Brasil, a presidenta Dilma Rousseff, que participará da reunião, seguirá para Caracas para a posse de Nicolás Maduro.

Foto:AVN / Emilio Guzmán




quarta-feira, 17 de abril de 2013

Cresce respaldo internacional a Maduro



França e Espanha ratificam apoio e secretário-geral da OEA deseja êxito ao presidente eleito da Venezuela Nicolás Maduro. A grande maioria dos países da América Latina e Caribe também já enviaram congratulações, assim como todos os países dos BRICS. EUA pede recontagem dos votos, mas recebem resposta: “Comece por seu próprio pátio, senhor secretário

Vinicius Mansur, de Caracas, Venezuela

Tensão diminui nas ruas da Venezuela, mas se mantém nas mídias

Foto: AVN

A tensão política já é menor na Venezuela, sem nenhum registro de confronto motivado pelo resultado eleitoral nesta quarta (17). Os pedidos de paz feitos por governo e oposição acalmaram os ânimos, ainda que seus discursos não poupassem ataques mútuos.



Após ações violentas que deixaram sete chavistas mortos entre a madruga de segunda (15) e terça-feira (16), a Venezuela amanheceu menos tensa na quarta-feira (17), sem nenhum registro de confronto motivado pela pugna eleitoral. Os pedidos de paz feitos pelo presidente eleito, Nicolás Maduro, e pelo candidato derrotado, Henrique Capriles, acalmaram os ânimos, ainda que seus discursos não poupassem ataques mútuos. 

Ao invés da marcha opositora prevista para quarta, com alto potencial de conflito e por isso proibida por Maduro e posteriormente desconvocada por Capriles, o centro de Caracas foi palco para o show “Pela Paz e pela Vida”. Organizada pelo governo, na praça Diego Ibarra, ao lado do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o evento segue por toda a tarde com um total de 30 atrações musicais, entre elas Leo Vargas, Omar Acedo, Lloviznando Cantos e Los Cadillacs. 

Desde terça (15) o clima já estava mais tranquilo em Caracas. O que se viu foram algumas concentrações públicas feitas pela oposição em bairros abastados, à tarde, sem grandes distúrbios. À noite, a partir das 20h, o embate travado nas ruas foi meramente sonoro: os opositores batiam panelas, enquanto chavistas soltaram fogos. 

Tensão midiática 
Já na internet, algumas horas depois, Capriles e Maduro voltaram a alertar a população. Pelo twitter, o opositor disse que “o governo ordenou esta noite grupos armados com camisetas nossas quebrar vidros de carros, atacar gente, gerar violência” e, em seguida, disse, que “qualquer coisa que me aconteça na Residência Oficial em Los Teques [casa oficial do governador de Miranda] faço responsável Nicolás Maduro!”.

O presidente eleito - que só terça recuperou sua conta no microblog, hackeada no dia da eleição - respondeu: "sou homem de paz e de palavra, ordenei ao Sebin [Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional] para manter a proteção ao ex-candidato da direita. Apesar que dispensou quem o protegia". E completou: “porque em sua loucura de ódio e desespero são capazes de tudo. Só peço sensatez e que cesse a intolerância e a violência fascista. Paz”. Minutos mais tarde, Maduro postou: "Temos informação que a direita está armando grupos com camisetas vermelhas para simular ataque. Alertei todos os corpos de segurança". 

Já na televisão, os meios privados praticamente não repercutiram os feitos violentos. O destacado jornalista conservador do canal Globovisión, Leopoldo Castillo, chegou a questionar ao vivo a existência de mortos, insinuado tratar-se de uma armação do governo. 

Em entrevista a rádio Noticia24, o diretor da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), Pedro Maldonado, disse “observar com preocupação como, desde segunda-feira, os meios de comunicação invisibilizaram a situação de violência”.  

Nesse contexto, o presidente eleito foi ao ar em cadeia nacional (sintonização de todos os canais numa mesma transmissão) por quatro vezes, entre a manhã e a noite de ontem. Por meio desse recurso, Maduro, entre outras coisas, citou o resultado dos distúrbios, anunciou que não permitiria que a marcha da oposição chegasse até o centro de Caracas, convocou a população a não cair em provocações e atacou por diversas vezes Capriles, responsabilizando-o pela violência. 

Capriles também seguiu fomentando a briga. Em coletiva de imprensa no mesmo dia, transmitida pela Globovisión, o opositor cancelou a marcha, mas culpou o governo de forjar a violência para invisibilizar suas denúncias de fraude eleitoral. 

Ao longo do dia, os meios de comunicação estatais trataram de informar detalhes sobre a violência que deixou sete mortos, 63 feridos e 170 detidos pelos distúrbios. Também foram atacados oito Centros de Diagnóstico Integral (CDI), três sucursais da da rede de supermercados estatal Mercal e três sedes do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV). 

De acordo com a Agência Venezuela de Notícias foram mortos os chavistas José Luis Ponce, Ender Agreda, Henry Manuel Rangel, Keler Enrique Guevara, Luis García Polanco, Rey David Sánchez e Jonathan Antonio Hernández Acosta.