terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Uruguai: Democratizar a comunicação é estratégia de poder


Lei de Serviços Audiovisuais é o primeiro desafio de Tabaré
Aprovar a lei de serviços audiovisuais ainda em 2014 é um compromisso da Frente Ampla, que tem o apoio de Tabaré Vasquéz, eleito para presidir o país até 2020. Para Gabriel Mazzarovich, um dos integrantes da Coalizão por uma Comunicação Democrática, é preciso mobilizar a sociedade para garantir a aprovação da lei.

Por Renata Mielli, para o ComunicaSul

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ignacio Ramonet: Viagem a uma nova Bolívia


Como nacionalização dos setores estratégicos, por Evo Morales, permitiu redistribuir riqueza, impulsionar economia, modernizar infraestrutura. Surpresa: empresários já colaboram com governo

Por Ignacio Ramonet | Tradução: Inês Castilho
Publicado no Brasil de Fato
Foto: Lidyane Ponciano

Para o viajante que volta à Bolívia depois de alguns anos de ausência, e que caminha lentamente pelas ruas estreitas de La Paz – cidade marcada por ravinas escarpadas a quase quatro mil metros de altitude – as transformações saltam aos olhos: não se veem mais pedintes, nem vendedores informais que lotavam as calçadas. As pessoas se vestem melhor, têm um ar mais saudável. E a capital tem uma aparência mais bem tratada, mais limpa, com muitos espaços verdes. Ressalta também o surgimento de novas construções. Despontaram duas dezenas de grandes imóveis e multiplicaram-se os centros comerciais; um deles tem o maior complexo de cinemas (18 salas) da América do Sul.

Mas o mais espetacular são os teleféricos urbanos, de extraordinária tecnologia futurista [1], que mantêm, acima da cidade, um balé permanente de cabines coloridas, elegantes e etéreas como bolhas de sabão. Silenciosas e não poluentes. Duas linhas estão funcionando agora, a vermelha e a amarela; uma terceira, a verde, será inaugurada nas próximas semanas, permitindo assim a criação de uma rede interligada de transporte a cabo de 11 km, a maior do mundo. Isso possibilitará a dezenas de milhares de moradores de La Paz economizar em média duas horas de viagem por dia.

“A Bolívia muda. Evo cumpre suas promessas”, afirmam cartazes nas ruas. E pode-se constatar que o país é de fato outro. Muito diferente daquele que conheci há apenas uma década, quando foi considerado “o Estado mais pobre da América Latina depois do Haiti.” Corruptos e autoritários em sua maioria, seus governos passavam os anos a implorar empréstimos aos organismos financeiros internacionais, às principais potências ocidentais ou às organizações humanitárias. Enquanto isso, as grandes mineradoras estrangeiras pilhavam o subsolo, pagando ao Estado royalties de miséria e prolongando a espoliação colonial.

Relativamente pouco povoada (cerca de dez milhões de habitantes), a Bolívia tem superfície de mais de um milhão de quilômetros quadrados (duas Franças, ou Bahia e Minas Gerais somadas). Suas entranhas transbordam de riquezas: prata (faz lembrar Potosí …), ouro, estanho, ferro, cobre, zinco, tungstênio, manganês etc. O sal de Uyuni tem as maiores reservas no mundo de potássio e lítio – considerado a energia do futuro. Mas hoje, a principal fonte de renda é constituída pelo setor de hidrocarbonetos: gás natural (a segunda maior reserva da América do Sul), e petróleo (em menor quantidade, por volta de 16 milhões de barris ao ano).

No decorrer dos últimos nove anos, após a chegada de Evo Morales ao poder, o crescimento econômico da Bolívia foi sensacional, com uma taxa média anual de 5%. Em 2013, o avanço do PIB atingiu 6,8% [2]; em 2014 e 2015, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), será igualmente superior a 5%… É o percentual mais elevado da América Latina [3]. E tudo isso com uma inflação moderada e controlada, inferior a 6%.

Assim, o nível material de vida dobrou [4]. As contas públicas, embora com importantes investimentos sociais, são igualmente controladas, a tal ponto que a balança comercial oferece resultado positivo com excedente orçamentário de 2,6% (em 2014) [5]. Embora as exportações, principalmente de hidrocarburetos e de produtos de mineração, desempenhem papel importante nessa prosperidade econômica, é a demanda interna (+5,4%) que constitui o principal motor do crescimento. Finalmente, outro sucesso sem precedentes da gestão do ministro da economia, Luis Arce: as reservas monetárias internacionais da Bolívia agora equivalem a 47% do PIB [6], colocando pela primeira vez o país em primeiro lugar na América Latina, bem à frente de Brasil, México e Argentina. Evo Morales indicou que a Bolívia pode deixar de ser um país endividado em nível estrutural para tornar-se um país credor. Ele revelou que “quatro Estados da região”, sem especificar quais, já solicitaram crédito ao governo …

Num país onde mais de metade da população é de origem indígena, Evo Morales, eleito em janeiro de 2006, é o primeiro índio a tornar-se presidente no decorrer dos últimos cinco séculos. E, depois que assumiu o poder, esse presidente diverso rejeitou o “modelo neoliberal” e substituiu-o por um novo “modelo econômico social comunitário produtivo”. A partir de maio de 2006, nacionalizou os setores estratégicos (hidrocarburetos, indústria de mineração, eletricidade, recursos ambientais) geradores de excedentes, e investiu parte desse excedente nos setores geradores de emprego: indústria, produtos manufaturados, artesanato, transporte, agricultura e pecuária, habitação, comércio etc. Consagrou a outra parte do excedente à redução da pobreza por meio de políticas sociais (educação, saúde), aumentos salariais (para funcionários e trabalhadores do setor público), estímulos à integração (os bônus Juancito Pinto [7], a pensão “dignidade” [8], os bônus Juana Azurduy [9]) e subsídios.

Os resultados da aplicação desse modelo não se refletem apenas nas cifras acima, mas também num dado bem explícito: mais de um milhão de bolivianos (10% da população, portanto) saíram da pobreza. A dívida pública, que representava 80% do PIB, diminui e mal chega a 33%. A taxa de desemprego (3,2%) é a mais baixa da América Latina, a tal ponto que milhares de imigrantes bolivianos na Espanha, Argentina e Chile começam a voltar, atraídos pelo pleno emprego e notável aumento do padrão de vida.

Além disso, Evo Morales começou a tornar verdadeiro um Estado que até o presente não era senão virtual. É claro que a vasta e torturada geografia da Bolívia (um terço de altas montanhas andinas, dois terços de planícies tropicais e da Amazônia), assim como a divisão cultural (36 nações etnolinguísticas) nunca facilitaram a integração e a unificação. Mas o que não foi feito em quase dois séculos, o presidente Morales está determinado a colocar em prática, para dar fim ao desmembramento. Isso passa, antes de tudo, pela promulgação de uma nova Constituição, aprovada por referendo, que estabelece pela primeira vez um “Estado plurinacional” e reconhece os direitos de nações diversas que coabitam o território boliviano. Em seguida, passa pelo lançamento de uma série de ambiciosas obras públicas (estradas, pontes, túneis) com o objetivo de conectar, articular, servir áreas dispersas para que seus habitantes sintam que fazem parte de um mesmo conjunto: a Bolívia. Isso nunca havia sido feito. É a razão por que o país teve tantas tentativas de divisão, separatismo e fracionamento.

Hoje, com todos esses êxitos, os bolivianos sentem-se – talvez pela primeira vez – orgulhosos de si. Estão orgulhosos de sua cultura indígena e de suas línguas nativas. Estão orgulhosos de sua moeda, que a cada dia ganha um pouco mais de valor em relação ao dólar. Estão orgulhosos de ter o mais elevado crescimento econômico e as reservas monetárias mais importantes da América Latina. Orgulhosos de suas realizações tecnológicas como a rede de teleféricos de última geração, de seu satélite de telecomunicações Tupac Katari, de sua cadeia de televisão pública Bolivia TV [10]. Essa cadeia, dirigida por Gustavo Portocarrero, deu em 12 de outubro, dia das eleições presidenciais, uma demonstração notória de sua excelência tecnológica ao conectar-se diretamente – durante 24 horas ininterruptas – com seus enviados especiais em cerca de 40 cidades do mundo (Japão, China, Rússia, Índia, Egito, Irã, Espanha etc.), onde bolivianos que vivem no exterior votaram pela primeira vez. Proeza técnica e humana que poucos canais de TV do mundo seriam capazes de conseguir.

Todas essas realizações – econômicas, sociais, tecnológicas – só explicam em parte a vitória esmagadora de Evo Morales e de seu partido (o Movimiento al Socialismo, MAS) nas eleições de 12 de outubro último [11]. Ícone da luta dos povos indígenas e autóctones de todo o mundo, graças a este novo triunfo, Evo conseguiu romper preconceitos importantes. Ele prova que a permanência no governo não causa, necessariamente, desgastes; e que, depois de nove anos no poder, é possível conseguir uma reeleição esmagadora. Prova também que, ao contrário do que afirmam os racistas e colonialistas, “os índios” sabem como governar e podem ser os melhores líderes que o país já teve. Prova que, sem corrupção, com honestidade e eficácia, o Estado poder ser um excelente administrador, e não uma calamidade sistemática, como pretendem os neoliberais. Finalmente, Evo prova que a esquerda no poder pode ser eficaz; que pode gerir políticas de integração e redistribuição de riquezas sem pôr em perigo a estabilidade da economia.

Mas essa grande vitória eleitoral explica-se também, e talvez sobretudo, por razões políticas. O presidente Evo Morales logrou vencer, ideologicamente, seus principais adversários, agrupados no seio da casta de empresários da província de Santa Cruz, principal motor econômico do país. Esse grupo conservador, que tentou tudo contra o presidente – desde o ensaio de divisão do país até o golpe de Estado –, acabou finalmente por submeter-se e render-se ao projeto presidencial, reconhecendo que o país está em plena fase de desenvolvimento.

É uma vitória considerável, que o vice-presidente Álvaro García Linera explica nestes termos: “Conseguimos integrar o leste da Bolívia e unificar o país, graças à derrota política e ideológica de um núcleo político de empresários ultraconservadores, racistas e fascistas, que conspiraram para dar um golpe de Estado e financiaram grupos armados para organizar uma divisão do território oriental. Além disso, esses nove anos têm mostrado às classes médias urbanas e aos setores populares de Santa Cruz, que estavam cautelosos, que temos melhorado suas condições de vida, que respeitamos o que foi construído em Santa Cruz e suas especificidades. Somos evidentemente um governo socialista, de esquerda, e dirigido por indígenas. Mas desejamos melhorar a vida de todos. Enfrentamos as empresas petrolíferas estrangeiras, da mesma forma que as empresas de energia elétrica, e as fizemos dar sua contribuição para depois, com esses recursos, dar poder ao país, principalmente aos mais pobres – mas sem afetar as posses das classes médias ou do setor empresarial. Esta é a razão por que foi possível um reencontro com o governo de Santa Cruz, e tão frutífero. Nós não mudamos de atitude, seguimos dizendo e fazendo as mesmas coisas que há nove anos. Eles é que mudaram de atitude diante de nós. Desde então, começa esta nova etapa do processo revolucionário boliviano, que é a da irradiação territorial e da hegemonia ideológica e política. Eles começam a compreender que não somos seus inimigos, que é do interesse deles praticar a economia sem entrar na política. Mas se, como empresários, tentarem ocupar as estruturas do Estado e quiserem combinar política e economia, eles não conseguirão. Da mesma forma, não pode ser que um militar assuma também o controle civil, político, uma vez que eles já têm o controle das armas.”

Em seu gabinete do Palacio Quemado (palácio presidencial) o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, explica isso em uma frase: “Vencer e integrar”. “Não se trata – diz ele – de derrotar o adversário e abandoná-lo à sua sorte, correndo o risco de que comece a conspirar com o ressentimento do derrotado e embarque em novas tentativas de golpe. Uma vez vencido, é preciso incorporá-lo, dar-lhe oportunidade de juntar-se ao projeto nacional em que todos estão envolvidos, sob a condição de que admitam e se submetam ao fato de que a direção política, pela decisão democrática das urnas, é exercida por Evo e o MAS.”

E agora? O que fazer com uma vitória assim esmagadora? “Temos um programa [12] – afirma tranquilamente Juan Ramón Quintana – queremos erradicar a pobreza, dar acesso universal aos serviços públicos básicos, garantir uma saúde e uma educação de qualidade para todos, desenvolver a ciência, a tecnologia e a economia do conhecimento, estabelecer uma administração econômica responsável, ter uma gestão pública transparente e eficaz, diversificar nossa produção, industrializar o país, alcançar a soberania alimentar e agrícola, respeitar a mãe Terra, avançar em direção a uma maior integração latino-americana e com nosso parceiros do Sul, integrar-nos ao Mercosul e alcançar nosso objetivo histórico, fechar nossa ferida aberta: recuperar nossa soberania marítima e o acesso ao mar [13].”

Por sua vez, evou Morales exprimiu seu desejo de ver a Bolívia tornar-se o “coração energético da América do Sul”, graças ao enorme potencial em matéria de energias renováveis (hidroelétrica, eólica, solar, geotérmica, biomassa), ao invés dos hidrocarbonetos (petróleo e gás). Isso, com o complemento da energia atômica civil produzida por uma central nuclear cuja aquisição está próxima.

A Bolívia muda. Avança. E sua metamorfose prodigiosa ainda não acabou de surpreender o mundo.

NOTAS

[1] A fabricante é a empresa austríaca Doppelmayr Garaventa.

[2] Ler Economía Plural, La Paz, abril 2014.

[3] Ler Página Siete, La Paz, 12 outubro 2014.

[4] Entre 2005 e 2013, o PIB por habitante mais que dobrou(de 1.182 dólares para 2.757 dólares). A Bolívia não é mais um “país de baixa renda” e foi declarada “país de renda média”. Ler “Bolivia, una mirada a los logros más importantes del nuevo modelo econômico” em Economía Plural, La Paz,junho 2014.

[5] A boa gestão das finanças públicas possibilitou à Bolívia tornar-se o segundo país de maior superávit orçamentário da América Latina no curso dos últimos oito anos.

[6] Em cifras absolutas, as reservas internacionais da Bolívia são de aproximadamente 16 bilhões de dólares. Em 2013, o PIB foi cerca de 31 bilhões de dólares.

[7] Uma quantia de 200 bolivianos anuais (23 euros) é dada a cada aluno do ensino público fundamental e médio que acompanhou todas as aulas regularmente. O objetivo é lutar contra a evasão escolar.

[8] Uma pensão que todos os bolivianos recebem a partir de 60 anos, mesmo aqueles que jamais contribuíram com o sistema de Previdência.

[9] Uma ajuda econômica de 1.820 bolivianos (cerca de 215 euros) é fornecida às mulheres grávidas e por cada menino ou menina de menos de dois anos com o objetivo de reduzir a taxa de mortalidade infantil e materna.

[10] http://www.mixbolivia.com/2013/08/ver-en-vivo-canal-bolivia-tv.html

[11] Ler, de Atilio Borón, “Por que Evo Morales venceu outra vez?” Outras Palavras, 13/10/2014.

[12] “Agenda patriótica 2025: la ruta boliviana del vivir bien (Agenda patriótica 2025:o caminho boliviano do bem viver)”. Em 2025 será a festa do bicentenário da independência e da fundação da Bolívia.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O exemplo de Torrijos e a “correlação de forças”

Leonardo Wexell Severo

Comandante Omar Torrijos
“A comunicação diária, ainda que somente seja para saudar-se socialmente, garante que não haja distanciamento entre nós. E sem distanciamento não há espaço físico, nem espiritual, nem político, para que se semeie a dúvida”

General Omar Torrijos

Com estas simples palavras do general e líder panamenho Omar Torrijos, abri minha fala sobre os “Desafios imediatos e históricos da comunicação dos trabalhadores”, sábado (8/11), na mesa de encerramento do Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Venezuela defende na OIT lei que reduz jornada e proíbe terceirizações

Elio Colmenares: "nossa luta é pela justiça social"
Presente na 18ª reunião regional da Organização Internacional do Trabalho, o vice-ministro de Direitos e Relações do Trabalho da Venezuela, Elio Colmenares, afirmou que nova legislação entrará em vigor em 2015 para “fortalecer direitos”. “Nós somos um modelo que vai na contramão ao que determina a OIT, que estabelece um mecanismo de diálogo social que, muitas vezes, mais se parece a um mecanismo de chantagem”, denunciou Colmenares. “Defendemos a progressividade e a intangibilidade dos direitos sociais. Nisso ninguém mexe e nem mexerá, são conquistas defendidas pelo nosso governo e por nosso povo e expressas na nossa Constituição”, frisou o representante venezuelano.

Leonardo Wexell Severo, de Lima

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

#PátriaGrande: Líderes do continente celebram vitória de Dilma Rousseff

Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

Por Felipe Bianchi

Após a confirmação oficial da reeleição de Dilma Rousseff (PT) no Brasil (51,63% contra 48,36% do tucano Aécio Neves) neste domingo (26), diversos presidentes e líderes latino-americanos saudaram a vitória da atual presidente no país mais estratégico do projeto progressista em curso na região.

Além de garantir as boas relações com os países vizinhos e reforçar a tendência de integração e cooperação, a vitória de Dilma Rousseff representa a continuidade de um processo de transformações na América Latina, garantindo a manutenção de um mundo multipolar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Coro Coro: Montanha de cobre a serviço do povo boliviano

Criação de nova empresa estatal alavanca crescimento com soberania

Leonardo Wexell Severo, de Coro Coro, Bolívia

A cerca de 100 quilômetros de La Paz, em pleno altiplano andino, está localizada Coro Coro, cidade mineira que se confunde com a própria história da Bolívia. Grande produtora de cobre, originalmente denominada Kori Kori Pata “montanha de ouro” ou ocororo “ouro baixo”, chegou a contar com quatro jornais e superar a capital, La Paz, em número de habitantes.
Resultado das políticas neoliberais que devastaram o país vizinho, o local onde se produzia sulfato de cobre foi fechado em 1985 e os mineiros desempregados, com o município praticamente transformado em cidade fantasma.
A reversão da tragédia começa em 2009, com o anúncio da reativação do distrito mineiro pelo presidente Evo Morales, e a entrada em operação, em 26 de outubro de 2010, da primeira planta produtora de cátodos de cobre da Bolívia, explicou o sociólogo Porfírio Cochi, nascido na localidade. “Coro Coro tinha a sua própria moeda e chegou a ser capital do Estado de Antofagasta, território que perdemos para o Chile. Abandonada, não tinha sequer estradas e uma viagem até La Paz chegava a durar oito horas em caminhão. Além de elevar a auto-estima, a retomada da produção abre enormes perspectivas para o desenvolvimento boliviano”, avaliou.

domingo, 12 de outubro de 2014

Evo reeleito: 'Pátria sim, colônia não!'

Presidente boliviano supera os 60% e governará até 2020

Por Leonardo Severo e Felipe Bianchi, de La Paz


“Irmãos e irmãs, obrigado pelo novo triunfo. Seguimos crescendo nesta sétima vitória, com mais de 60% dos votos [O principal opositor de Evo, Samuel Doria Medina, obteve cerca de 25%]. Este é um triunfo dos anticapitalistas e dos anticolonialistas contra o império norte-americano”, afirmou o presidente reeleito da Bolívia, Evo Morales, saudando a multidão concentrada em frente ao Palácio Quemado na noite deste domingo (12).

Bolivianos vão às urnas, exaltam democracia e repudiam boato de atentado contra Evo Morales

“Há 32 anos, derrotamos uma longa ditadura. Hoje, digo aos jovens que sejam vigilantes desse novo tempo e protagonistas da vida cidadã em nosso país”. Foi com essa afirmação que Wilma Velasco, presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TER) boliviano, inaugurou oficialmente as eleições gerais de 2014. A cerimônia ocorreu na manhã do domingo (12) e contou com a participação do vice-presidente do país, Álvaro García Linera.
Por Felipe Bianchi e Mônica Fonseca Severo, de La Paz


Algumas horas mais tarde, no colégio Agustín Aspiazu, o candidato à reeleição pelo Movimiento Al Socialismo (MAS) falou à imprensa, logo após cumprir com o ato do voto. Linera convocou os bolivianos a participarem do processo “com alegria, entusiasmo e responsabilidade, pois o voto define a pátria que queremos”.

Álvaro García Linera exibe 'papeleta' antes
de despositá-la em urna
“Quando a Bolívia está unida, ninguém nos para”, afirmou Linera. “Quando estamos divididos, todos se aproveitam de nossas debilidades, mas com um governo forte e uma sociedade mobilizada, o país se levanta”, complementou.

“Nossa querida Bolívia, que por tanto tempo foi maltratada e aparecia como o país mais pobre do continente, agora, aparece como um modelo de democracia, de economia, de Estado e de sociedade”, destacou. “Eu confio que os bolivianos, hoje, continuarão a validar esse otimismo e liderança da Bolívia na região”.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Bolívia: “Aqueles que roubavam nossas terras não vão voltar”

“Sou uma árvore e o meu dever é proteger meus frutos. Mataram meus filhos, a meus netos não matarão. É meu dever brigar”, declarou Brígida Bilca, vendedora de empanadas.

Por Mônica Fonseca Severo, de La Paz
Para compreender o que se passa no vizinho andino, nossa equipe conversou com diversos personagens, em distintos momentos de nossa estadia na Bolívia. A despeito da dificuldade de diálogo, visto que o primeiro idioma da maioria da população não é o espanhol, a vontade de comunicar-se sempre falou mais alto.

Brígida Bilca, 55 anos, vendedora ambulante de empanadas, explicou porque, a seu ver, Evo Morales será reeleito neste domingo, 12 de outubro. “Evo descende dos homens de pedra, por isso é garantido para o mundo. Eu também sou descendente dos homens de pedra e, por isso, não posso duvidar dele. Antes dele, eram os padres e os brancos que mandavam,  faziam um irmão matar o outro. Evo nos salvou deste massacre”.  Homens de pedra é a tradução para o espanhol da expressão em aymara que designa os descendentes da civilização Tiahuanaco, provavelmente a mais antiga do mundo. Brígida ressalta a identificação cultural do presidente com a maioria da população, já que 80% dos bolivianos se identificam como aymaras, quéchuas ou guaranis. Com relação à expressão ‘irmão que mata irmão’, Brígida se refere a confrontos entre populares e forças armadas, constituída por bolivianos.

Na Bolívia, possível vitória da direita brasileira é vista como 'desastre continental'

Protagonistas no governo de Evo Morales, movimentos sociais bolivianos preocupam-se com o país vizinho: “Aécio Neves seria um duro golpe na integração latino-americana”.


Por Felipe Bianchi dos Santos e Lidyane Ponciano (fotos), de La Paz

Valeria Silva: "Brasil é imprescindível para um mundo multipolar"
“Se perdermos o processo de mudanças sociais que existe no Brasil, perderemos muito em toda a América Latina”, decretou Valeria Silva, nesta sexta-feira (10), em La Paz, Bolívia. A historiadora, cientista política e representante da Generación Evo, “fenômeno” que tem agrupado de forma massiva a juventude engajada na transformação pelo qual passa a nação andina, avalia que “a volta do neoliberalismo significa o fim da soberania do povo brasileiro”. 

Conforme defende a jovem - Valéria tem 24 anos e concorre, nas eleições gerais de 2014, a uma vaga como deputada suplente pelo Movimiento al Socialismo (MAS) –, o Brasil é referência no continente pela sua incidência internacional. “O que acontece no país reflete em todos os vizinhos”, argumenta. “Hoje não temos presença ou ingerência estrangeira no Brasil, na Bolívia, na Venezuela, no Equador. Se o Brasil voltar a flertar com o imperialismo, o que fatalmente acontecerá caso a direita triunfe, tenham certeza de que tentarão derrubar a todos”.

“Hoje quem faz a lei na Bolívia não são mais o FMI e o Banco Mundial”

Afirmação é do professor Jorge Baldivieso Garcia, membro da executiva da Central Operária Boliviana (COB), em entrevista ao ComunicaSul.
Por Leonardo Severo, de La Paz
Fotos por Mônica Fonseca Severo


Símbolo de luta e resistência ao neoliberalismo, a Central Operária Boliviana (COB) vem tendo um papel de destaque na construção do processo revolucionário que vive o país andino, desde a vitória do presidente Evo Morales. Única representante dos trabalhadores do país, a COB tem dialogado com o governo a fim de garantir que as pautas do mundo do trabalho estejam cada vez mais presentes em todas as esferas da administração pública. Pelos reconhecidos avanços do último período – o salário mínimo teve um aumento real de 105% -, a Central fez uma aliança pela reeleição do presidente, que reconhece na COB e nos movimentos valorosos “companheiros da mudança”. Por sua parte, a entidade comemora a construção da Lei Geral do Trabalho, que irá surgir, porque “hoje quem faz a lei na Bolívia não são mais os assessores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial”. Nesta entrevista, Jorge Baldivieso Garcia, membro da executiva nacional da COB, faz um pequeno resgate da luta da classe trabalhadora pela libertação nacional e dos novos desafios a partir da reeleição do presidente Evo Morales no próximo domingo, 12 de outubro.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Memória viva da guerrilha latino-americana contra os falsificadores da História

Efraín Quicanez Aguilar, mais conhecido como Negro José
Herói no anonimato, Negro José relata a exitosa fuga dos guerrilheiros de Che

Monica Fonseca Severo

Aos 84 anos de idade, Efraín Quicanez Aguilar, mais conhecido como Negro José, recebeu a equipe do Comunicasul em La Paz. Logo na chegada, uma análise sobre o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. Emenda com análise de conjuntura da Bolívia, do embate eleitoral em curso, da luta anti-imperialista e do processo de transformação vivido nos últimos anos, com a chegada na presidência de Evo Morales.

Mais de 500 mil em El Alto com Evo Morales

Candidato à reeleição em sufrágio marcado para o domingo (12), atual presidente boliviano ressaltou importância da nacionalização dos setores estratégicos, frisou que La Paz será capital da energia nuclear e decretou: "Aceitamos cooperação. Chantagem, nunca mais".

Por Leonardo Severo e Felipe Bianchi, de La Paz
Fotos por Lidyane Ponciano

Evo agita bandeira brasileira durante ato. Foto: Felipe Bianchi

Mais de meio milhão de bolivianos se somaram nesta quarta-feira (8), em El Alto, no comício de encerramento da campanha à reeleição do presidente Evo Morales – o país vais às urnas no domingo (12). Em frente ao palanque – montado ao lado da estátua de Che Guevara, que tombou no país andino, no mesmo 8 de outubro, em 1967 –, um mar de bandeiras azuis do Movimento ao Socialismo (MAS) e  ‘wipalas’, símbolo da rebeldia e da determinação indígena frente ao colonialismo, reafirmando a popularidade do projeto iniciado pelo governo em 2006.

Multidão toma as ruas de El Alto, a 4 mil metros de altitude
“Enfrentamos os saqueadores e o modelo de assalto ao nosso país e nossas riquezas”, salientou Evo. “Superamos um histórico de golpes de Estado, ditaduras militares e intervenções do imperialismo. Isso acabou, graças à luta e à consciência do povo. Por isso não temos mais, no Palácio de governo, a embaixada dos Estados Unidos ou o Departamento Anti-drogas norte-americano. Estamos melhor no aspecto democrático, econômico e social. Vamos avançar ainda mais nos próximos cinco anos°, sublinhou Evo.

Ainda em relação ao passado não tão distante – em 2005, a pobreza extrema atingia quatro em cada 10 bolivianos –, o candidato à reeleição lembrou que, antes, falavam aos povos indígenas que serviam para votar, não para serem votados. “Nove anos depois, ensinamos os vende-pátrias, os imperialistas, os entreguistas e os separatistas como se governa”, sentenciou.

Vice-presidente Álvaro García Linera conversa
com Evo Morales
O presidente agradeceu o apoio e o compromisso dos movimentos sociais que se somaram para levar o projeto nacional a cabo e, agora, para aprofundá-lo. Ele também saudou a solidariedade das delegações brasileira e argentina presentes ao ato. “A unidade nos garante dignidade e soberania”, destacou.

Ele também comemorou a derrota dos separatistas dos estados da chamada “meia lua”: Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija. “Agora estamos unidos, somos uma lua cheia e construímos um país livre, com estabilidade e crescimento econômico, trazendo esperança e garantia para as futuras gerações°.

O ex-líder cocalero, disparado no primeiro lugar das pesquisas eleitorais, lembrou que antes das nacionalizações dos hidrocarbonetos o país recebia pouco mais de 300 milhões de dólares. Para este ano, o governo projeto cerca de sete bilhões. Evo defendeu que o país deve deixar cada vez mais de ser um exportador de matérias-primas sem valor agregado e alavancar a industrialização das riquezas naturais.


“Vamos transformar a Bolívia no centro energético da América do Sul. Este é um compromisso que afirmamos como política de Estado, não de governo”, assinalou. “Com investimentos em energias limpas”, destacou Evo, o governo boliviano potencializará a industrialização do país. “Pando será a capital da energia solar, Potosí da energIa térmica, e Tarija da termoelétrica. La Paz, por sua vez, será a capital da energia nuclear”.

Em relação à soberania do país, o candidato à reeleição comemorou o fato de a Bolívia não depender de mais ninguém: “O nosso Banco Central servia ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Agora, aceitamos cooperação, mas chantagem nunca mais”.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Teleférico é sinônimo de agilidade e economia para bolivianos



Inaugurada em setembro pelo Presidente Evo Morales, a linha amarela do teleférico que liga La Paz a região oeste de El Alto, tem aproximadamente 4km de comprimento, 169 cabines, 31 torres e quatro estações. Construído a quase 4 mil metros acima do nível do mar, é considerado o mais alto do mundo. 
Por Mônica Fonseca Severo e Lidyane Ponciano, de La Paz

Bolívia: Ministro considera avanços ‘irreversíveis’ e critica oportunismo da oposição

César Navarro quer aprofundar desenvolvimento e lamenta que opositores tentem ‘usurpar’ as vitórias populares; país vais às urnas no domingo (12). “A nacionalização, como diz Evo Morales, é a refundação econômica do Estado, e a Constituinte, a refundação política”, afirmou o ministro de Minas e Metalurgia, em entrevista ao ComunicaSul, nesta terça-feira (7).

Por Felipe Bianchi e Leonardo Severo, de La Paz

terça-feira, 7 de outubro de 2014

“Invasão USA” denuncia crimes do império contra Bolívia desde 1920

Invasión USA: denúncia contundente
Série de documentários desnuda “décadas marcadas pelo assalto, saque, intervenção e imposição de políticas antipopulares”

Leonardo Wexell Severo, de La Paz

Recém-lançada na Bolívia, a série de documentários “Invasão USA”, traça um mapa detalhado da ingerência imperial dos Estados Unidos no país andino, de 1920 até nossos dias. “Foram décadas e décadas marcadas pelo assalto, saque, intervenção e imposição de políticas antipopulares”, revela o jornalista argentino Mariano Vázquez, responsável pela investigação histórica.
De acordo com Mariano, que mora no país há quase três anos, a série traz à tona “a história que não existe nos livros oficiais, que apenas foi contada em pequenas doses por alguns valentes, que muitos preferiram ocultar ou ignorar e outros preferiram esquecer. Por estas razões acreditamos que constitui uma obra vital para as futuras gerações, para que não esqueçam os tempos da capitulação nacional em mãos do império”.
“Invasão USA” consta de seis capítulos e inicia com a instalação na Bolívia da toda poderosa Standard Oil Company de New Jersey, que abriu o caminho a outras transnacionais que chegaram ao país para saquear os recursos naturais sem deixar nada em troca. “Além disso, a companhia petrolífera jogou um papel ativo contra a Bolívia na Guerra do Chaco, negando todo tipo de assistência, inclusive humanitária, até o limite de colaborar com o inimigo”, descreve Mariano.

Bolívia voa alto com a nacionalização

Retomada do patrimônio público estatal possibilita injeção de recursos no desenvolvimento soberano do país
Leonardo Wexell Severo, de La Paz

Partimos de São Paulo no Boeing 737 da Boliviana de Aviación (BOA) rumo a La Paz, acompanhados pelo colorido da Wipala, a bandeira quadrada de sete cores, convertida em símbolo pátrio do país andino após a promulgação fa Constituição de 2009. Metáfora da autoestima resgatada pelos avanços obtidos pelo governo de Evo Morales, o estandarte secular da “unidade, igualdade, organização e harmonia”, convida à compreensão sobre o processo de conversão destes valores em prática de governo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O trabalho não pode estar associado à morte

por Renata Mielli, de Montevidéo


“Não pode ser que o trabalho esteja associado à morte. Nossa luta é muito maior do que apenas uma luta por melhores salários, claro dinheiro é importante, mas temos que defender a vida e a dignidade do trabalhador”, afirma Javier Diaz, dirigente nacional do Sindicato Unificado Nacional da Construção e Anexos – Sunca.

Depois de muita discussão, o Sunca conseguiu garantir a aprovação de uma Lei no parlamento uruguaio que penaliza os empregadores que coloquem em perigo a integridade física dos trabalhadores pelo não cumprimento das normas de segurança e higiene.

Uruguai: Fábrica de cerâmica é recuperada por cooperativa de trabalhadores

Renata Mielli, Secretária-Geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e integrante do Comunicasul, está no Uruguai e produziu artigo especial para o blog. Confira:


Em 2009, a falência da Cerâmica Olmos, no Uruguai, deixou 753 trabalhadores desempregados. A única indústria de pisos, azulejos e louças sanitárias do país foi fechada depois de 75 anos de funcionamento, em função de dívidas astronômicas contraídas por seus proprietários. Há um ano a fábrica foi recuperada e reinaugurada depois de todo um processo de luta dos trabalhadores que durou 4 anos.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ComunicaSul reforça o elo latino-americano, defende Paulo Cannabrava

“A ComunicaSul reforça o elo entre os países latino-americanos. É uma rede de comunicação colaborativa que aproxima o povo brasileiro da informação sobre a nossa história comum, reafirmando o caminho de desenvolvimento e soberania a ser construído”, declarou o veterano jornalista Paulo Cannabrava Filho, um dos responsáveis pelos históricos “Cadernos do Terceiro Mundo” e atualmente editor do site Diálogos do Sul.

Por Leonardo Severo

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Rosane Bertotti: “ComunicaSul fortalece integração ao visibilizar a Bolívia”



Bertotti: "ComunicaSul visibiliza o encoberto pela velha mídia"
Coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) destaca importância da rede colaborativa

A rede de comunicação colaborativa ComunicaSul, integrada por jornalistas do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, jornais Brasil de Fato e Hora do Povo, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vermelho e de diversos meios alternativos, estará na Bolívia de 5 a 13 de outubro para cobrir as eleições presidenciais e parlamentares que ocorrem no país andino no próximo dia 12.
“A ComunicaSul é uma iniciativa que fortalece a integração latino-americana, pois dá visibilidade às importantes conquistas obtidas pelo conjunto dos processos em curso no Continente e que não são notícia na velha mídia”, declarou Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da CUT-Brasil e coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
Na Bolívia, destaca a dirigente, os avanços obtidos nos campos político, econômico e social, são reflexo de políticas públicas que priorizaram os povos originários, excluídos por séculos de dominação e segregação. “Infelizmente questões tão relevantes para o destino dos nossos países e povos acabam passando desapercebidas para o grande público devido à invisibilidade com que são tratadas. Há um nítido preconceito de classe, que relega a informação a virar não notícia”, disse.
Na avaliação de Rosane, “a integração potencializa o desenvolvimento da democracia e amplia os espaços para termos maior liberdade de expressão, enfrentando as manipulações e preconceitos da velha mídia, sempre alinhada com os interesses de Washington”. “Diferentemente do que circula nos grandes conglomerados de comunicação, a ComunicaSul privilegia os atores políticos que constroem nossas sociedades no dia-a-dia, o mundo do trabalho, os movimentos sindical e social, personalidades progressistas, trazendo à tona a intensidade e a riqueza da vida da nossa América”, acrescentou.
Entre outros países, a ComunicaSul já acompanhou os processos eleitorais ou de disputas políticas na Argentina, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras e Venezuela.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Pesquisa eleitoral aponta vitória de Evo Morales no primeiro turno

O presidente da Bolívia, Evo Morales, do MAS (Movimento ao Socialismo), que concorre a um terceiro mandato nas eleições de 12 de outubro, tem 54% das intenções de voto, contra 14% do principal opositor, Samuel Doria Medina, da UD (Unidade Democrata). A pesquisa foi realizada pela empresa Equipos Mori, encomendada pelo jornal El Deber, de Santa Cruz de la Sierra.

Por Vanessa Martina Silva, no Opera Mundi

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ComunicaSul cobrirá eleições presidenciais na Bolívia

A Rede ComunicaSul de Comunicação Colaborativa cobrirá as eleições presidenciais da Bolívia, que ocorrem no próximo dia 12 de outubro, a fim de garantir maior visibilidade ao acontecimento e aproximar o povo brasileiro das importantes conquistas obtidas pelo país andino no último período.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Encontros ComunicaSul: “A questão da comunicação é uma longa jornada”



O segundo encontro ComunicaSul aconteceu na última quinta-feira (28) no Barão de Itararé, e debateu o modelo de comunicação no continente sul-americano.

O encontro contou com a presença de Leonardo Severo, jornalista da Hora do Povo da CUT e autor dos livros “Latifúndio Midiota” e “Bolívia nas ruas e urnas contra o imperialismo”; Gustavo Codas, jornalista e economista paraguaio, e consultor da Fundação Perseu Abramo; Javiera Olivares, presidente nacional do Colégio de Periodistas do Chile; e Renata Mielli, jornalista, colaboradora do ComunicaSul e do Barão de Itararé.

                                                                                                   Por Dandara Lima* 

A jornalista Javiera Olivares abriu o encontro falando sobre o modelo de comunicação no Chile. Como ela estava em Santiago, sua participação aconteceu através do Skype. Ela é militante do Partido Comunista do Chile e atual presidenta nacional do Colégio de Periodistas. Ela contou que o modelo de comunicação chileno é semelhante ao brasileiro, um grande monopólio com viés político à direita. Os principais objetivos da sua gestão é a luta por uma nova Constituição para o direito de informação e por uma nova legislação de comunicação no Chile.

Leonardo Severo falou sobre a sua reportagem que deu origem ao livro “Bolívia nas ruas e urnas contra o imperialismo” e sua relação com o ComunicaSul. O livro traz uma sequência de matérias publicadas, entre outros veículos, no Portal do Mundo do Trabalho (CUT) e no jornal Hora do Povo.



Ele acompanhou a luta dos movimentos sociais nas ruas de Tarija, província da “Meia Lua”, e na capital, La Paz, onde ele entrevistou ministros e autoridades. A reportagem mostra a trajetória do governo de Evo Morales, com a nacionalização do petróleo e do gás, a aceleração e aprofundamento da reforma agrária, os investimentos na saúde e na educação, que nesse ano transformaram a Bolívia em um país livre de analfabetismo. O livro faz um contraponto ao que foi veiculado na grande mídia na época, e mostra o processo de desinformação por parte desses grandes veículos.

Ao falar sobre sua experiência com o ComunicaSul, Leonardo defendeu a intensificação da produção de conteúdo do blog, explorando mais as novas tecnologias e formas de comunicação, e também, a importância de trazer o debate da democratização da mídia para dentro das universidades.

Renata Mielli faz parte da executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Mídia e falou sobre a sua cobertura das eleições na Venezuela. Ela começou enfatizando que a imprensa progressista precisa produzir o próprio conteúdo para conseguir fazer o contraponto aos grandes veículos.

“A gente vive muito de análise e reprodução de conteúdo dos grandes veículos com algum comentário. Se a gente quiser combater de alguma maneira e fazer a contra informação, nós precisamos produzir o nosso conteúdo, fazer a nossa narrativa dos fatos, senão a gente não consegue furar o bloqueio”, declara Renata.

Ela contou como foi a cobertura das eleições em que Hugo Chávez foi reeleito presidente em 2012. O blog ComunicaSul foi criado 10 dias antes da equipe viajar para a Venezuela, quando eles voltaram o blog já tinha atingido 12 mil acessos. O conteúdo publicado no blog foi reproduzido por vários outros veículos. Ela destaca que o que fez a diferença na cobertura foram as reportagens em vídeo.

Em relação a luta pela democratização da comunicação no Brasil, Renata lembrou a fala de Javiera, ressaltando as semelhanças do modelo de comunicação do Brasil e do Chile, um monopólio privado e comercial. Segundo ela, mesmo a internet sendo um meio alternativo que facilita a contra informação, são os portais dos grandes veículos que recebem mais acesso, questão semelhante a que foi levantada pelo jornalista Nilton Viana no encontro passado.




“A questão da comunicação é uma longa jornada”, disse Gustavo Codas ao iniciar sua fala. Segundo ele, Juan Domingo Peron foi o primeiro a defender um modelo de comunicação autônomo, quando foi presidente da Argentina na década de 40-50, devido ao absurdo que era ouvir notícias sobre o seu país através da UPI (United Press International). Ele defendia a criação de uma agência de notícias da América Latina.

Gustavo ressaltou que essa discussão sobre a criação do próprio conteúdo tem mais de 60 anos. Para ele a atual situação política e tecnológica permite que isso seja possível, mas precisa existir uma integração entre os jornalistas da América Latina. Ele criticou a postura dos militantes de esquerda que usam os veículos da burguesia, como André Singer, Vladimir Safatle e Guilherme Boulos, que são colunistas do jornal Folha de S. Paulo, pois isso dá legitimidade ao jornal. Ele criticou também a falta de apoio que o governo brasileiro dá aos veículos públicos e a imprensa progressista.

Em relação ao Paraguai, ele contou que a “opinião publicada” é dominada por dois grupos econômicos que defendem interesses empresariais. Os principais veículos de comunicação do Paraguai surgiram no período da ditadura.

Ele também comentou a atual situação política no Paraguai, onde a mídia esconde o processo de entrega dos bens públicos, atacando a classe política produzindo escândalos de amantes e parentes em cargos públicos. Essa situação é uma forma de manter a classe política subserviente aos interesses econômicos do governo Cartes. A questão do Paraguai e do governo Cartes também foi lembrada pela jornalista Mariana Serafini no encontro passado.

O próximo encontro será no dia 04/09 com a presença de Marina Terra, jornalista do Opera Mundi, e José Reinaldo, editor do Portal Vermelho.

*Com colaboração de Thiago Cassis


domingo, 31 de agosto de 2014

Picnic de Abutres: “guerra civil, genocídio e aroma de criminalidade”

 
Leonardo Wexell Severo 
“Há apenas uma história: a história Deles contra nós,
Eles têm casas maiores que a Disneylândia, nós temos aviso de execução hipotecária.
Eles têm jatinhos particulares para ilhas particulares, nós pagamos suas dívidas de apostas com nossas pensões.
Eles têm redução de impostos, nós temos créditos de risco.
Eles têm dois candidatos nas eleições e nós devemos escolher.
Eles têm as minas de ouro, nós temos os buracos.”
O jornalista investigativo estadunidense Greg Palast descreve seu livro “Picnic de Abutres: em busca dos porcos do petróleo, piratas da energia e carnívoros da alta finança” (Editora Alta Books, 446 páginas) como “uma busca para desmascarar a Fera, a máquina monstruosa que trabalha incessantemente para tirar de Nós e dar para Eles”.