quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

“Mídia tenta invisibilizar greve e luta por direitos no Paraguai”

Denuncia o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Paraguai, Santiago Ortiz

Leonardo Wexell Severo, de Assunção

No Paraguai, o alto nível de concentração da mídia nas mãos da oligarquia, do capital estrangeiro e do próprio presidente Horacio Cartes atenta contra a democracia. Natural, portanto, que em relação à greve convocada pelas centrais sindicais e movimentos sociais para os próximos dias 21 e 22 de dezembro, a regra seja o silêncio, que é a forma que trata a luta por direitos, denuncia o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Paraguai, Santiago Ortiz. Abaixo, a íntegra da entrevista.

sábado, 21 de novembro de 2015

“Governo Cartes é o que mais se aproxima de Stroessner”

Denuncia Bernabé Penayo, da Federação Nacional dos Taxistas do Paraguai

Leonardo Wexell Severo, direto de Assunção - Paraguai

“Estive preso de 1975 a 1978 acusado de pertencer à Federação Juvenil Comunista e posso dizer que o governo de Horacio Cartes é o que mais se aproxima da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989)”, denunciou o presidente da Federação Nacional dos Taxistas do Paraguai, Bernabé Penayo, se somando à greve geral convocada pelas centrais sindicais, organizações camponesas, estudantis, femininas e comunitárias para dezembro.

domingo, 1 de novembro de 2015

Paraguaios convocam greve em defesa da educação pública

Combate ao privatismo e à precarização une comunidade educacional
Plenária unitária de professores, pais e estudantes denuncia desgoverno Cartes
Leonardo Wexell Severo, de Assunção - Paraguai
Defender a educação pública, gratuita e de qualidade, barrar a precarização das condições de trabalho e as perseguições, garantindo a plena liberdade de organização sindical e de associação estudantil. Com estas bandeiras, aprovadas em plenária unitária realizada em Assunção, professores, pais e estudantes secundaristas e universitários, convocaram uma paralisação nacional para meados de novembro contra o desgoverno neoliberal do presidente Horacio Cartes.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Segundo turno inédito acirra disputa de projetos para a Argentina

Renata Mielli, especial para o ComunicaSul/Vermelho

“Nos próximos 20 dias, a direita vai jogar tudo para derrotar Scioli, mas vai enfrentar a resistência e a luta do movimento social e popular que se recusa a ver a Argentina ser governada por um representante autêntico da direita neoliberal”, afirmou em entrevista exclusiva para o ComunicaSul/Vermelho o presidente do Fórum Argentino de Radiodifusão Comunitária – Farco, Néstor Busso.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Eleição na Argentina define rumo da Ley de Medios e de avanços sociais

Por Felipe Bianchi

No dia 25 de outubro, a Argentina vai às urnas para eleger seu novo presidente. Mais que contrapor a candidatura de Daniel Scioli (Frente Para a Vitória) às de Mauricio Macri (Cambiemos) e do dissidente Sergio Massa (Unidos Por Uma Nova Argentina), o pleito deve definir se o país dará continuidade ao projeto nacional e popular iniciado no governo de Néstor Kirchner, em 2003, ou se retomará a cartilha neoliberal.

Cristina Kirchner ao lado de Daniel Scioli. Foto: Prensa
del Gobierno de Buenos Aires
As pesquisas mais recentes apontam razoável favoritismo do candidato oficialista, atual governador da província de Buenos Aires. Segundo as estatísticas, Scioli conta com pelo menos 40% das intenções de voto – de acordo com a legislação argentina, o presidenciável necessita somar 45% dos votos para ser eleito; caso a distância para o segundo colocado seja de pelo menos 10 pontos percentuais, o número necessário cai para 40%. Principal oponente de Scioli, o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, conta com aproximadamente 30% da preferência do eleitorado, enquanto Sergio Massa, outrora deputado kirchnerista, detém 20%.

Apesar do cenário incerto, já que em caso de segundo turno a tendência é de que a oposição se unifique em torno de Macri, o jornalista Max Altman considera bastante realista que o triunfo definitivo de Scioli ocorra já no domingo. “A tendência é que cresça o voto no candidato de Cristina Kirchner, principalmente, nas províncias do norte e do sul, que concentram a população mais dependente dos programas do governo”, aponta.

Segundo Altman, a eleição do candidato da Frente Para a Vitória garante fôlego aos processos de transformação em curso no continente, já que a região vive um momento de ofensiva do conservadorismo. “A força da candidatura endossada por Cristina reflete a resistência e, principalmente, a resiliência dos setores progressistas”, comenta o colunista do Opera Mundi. “A vitória de Scioli é um soco no estômago da direita latino-americana”, diz. “É importante ressaltar que a importância política da Argentina supera a sua importância econômica”.

Lei de meios e avanços sociais em risco?

Os programas sociais levados a cabo por Néstor e Cristina Kirchner ajudaram o país a reduzir a desigualdade de forma significativa: o índice de 47% da população atingida pela pobreza caiu para aproximadamente 25%. Há divergência entre institutos de pesquisa, que mostram oscilações no percentual dos últimos quatro anos. A 'guerra' dos números se deve, principalmente, à turbulência econômica. A crise argentina foi agravada por fatores como o declínio da balança comercial e a instabilidade do câmbio. Há, inclusive, denúncias de sabotagens praticadas por setores comerciais, com fins de desestabilizar a economia e, consequentemente, a política.

Há duas semanas da eleição, Macri inaugurou estátua de Péron; Para Dario Pignotti, 'é como se Agripino Maia (DEM) louvasse a Vargas e Lula'. Foto: Infobae
Aprofundar avanços em cenários adversos é sempre algo “ambicioso”, conforme avalia Dario Pignotti, correspondente do jornal argentino Página 12 no Brasil. “Mantê-los”, entretanto, “é um compromisso de Scioli”. Segundo o jornalista, o discurso da oposição quanto ao tema assemelha-se ao de Aécio Neves, em 2014: “Assim como o tucano fez em relação ao Bolsa Família, Macri também promete manter alguns programas mais emergenciais”. Em contrapartida, ele explica o caráter da candidatura oposicionista: “Macri é uma espécie de udenista argentino”.

Os avanços sociais não são a única conquista sob ameaça no caso de um revés – ainda que improvável – do oficialismo. A Ley de Servícios de Comunicación Audiovisual, popularmente chamada Ley de Medios, também pode ter seu rumo determinado pelo pleito, conforme alerta o presidente do Fórum Argentino de Radiodifusão Comunitária (Farco), Nestor Busso.

Aprovada em 2008 após ampla mobilização da sociedade, a lei é um importante passo para democratizar o sistema de comunicação do país, já que tornou ilegal o histórico monopólio do grupo Clarín ao definir regras democráticas para a ocupação do espectro radioelétrico [espaço no qual se propagam as ondas do rádio e da televisão], determinada por concessões públicas de radiodifusão.


Os constantes processos de judicialização da lei – a Suprema Corte levou quatro anos só para decidir que ela não é inconstitucional, como acusavam os barões da mídia – têm dificultado a sua implementação. “Houve muitos avanços no campo da comunicação pública e alguns avanços no campo comunitário, mas ainda há um longo caminho a percorrer”, avalia Busso.

Quando o assunto é a disputa eleitoral, no entanto, Busso é taxativo: “Se ganha Macri, a lei corre sério risco”. Ele explica que, apesar de ser difícil derrubá-la, já que o oposicionista não teria maioria no Congresso, o atual prefeito de Buenos Aires trabalharia intensamente para frear a aplicação da lei. “Macri representa o poder econômico, o neoliberalismo, ou seja, os interesses do Clarín”, salienta Busso, argumentando que, “por isso, tem forte apoio da grande mídia, assim como qualquer candidato que faça oposição ao governo”.

Com Scioli, pondera Pignotti, é provável que ocorra um arrefecimento das hostilidades entre governo e Clarín – em seu segundo mandato, Cristina Kirchner chegou a romper relações com o grupo. Apesar do presidenciável ter um perfil mais propenso ao diálogo, “o fato é que o Clarín fará uma grande festa caso Macri vença”, opina o correspondente da Página 12.

Um dos principais obstáculos para a Ley de Medios tornar-se realidade concreta, de acordo com Busso, é o “atrelamento entre o Poder Judiciário e o poder econômico”, que mina as mudanças previstas na lei através de arrastados processos judiciais. Apesar da “generosidade da Justiça com o Clarín”, o professor da Universidade de Buenos Aires e da Universidade Nacional de Quilmes, Martín Becerra, avalia que “não se muda nada apenas aprovando leis se não há políticas públicas que se somem a elas”. Segundo Becerra, “trata-se de uma estrutura muito arraigada, difícil de alterar”, exigindo um processo de “maturação política” – o que só deve ocorrer caso não haja festa no Clarin.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Juiz acusado de liberar traficantes é carrasco dos sem-terra de Curuguaty

Camponeses denunciam “terrorismo de Estado” por trás de Ramón Trinidad Zelaya

Leonardo Wexell Severo, de Assunção

Justificando a razão de não aceitar o quadro presenteado por um grande pintor, o poeta Mário Quintana disse: “Acredite, não tenho paredes. Só tenho horizontes...” No vizinho Paraguai, o juiz Ramón Trinidad Zelaya, tem uma máxima diferente. Para ampliar as suas paredes, quer ver atrás das grades o horizonte de todos os sem-terra, assim como os de Marina Kue, no município de Curuguaty.  Integrada pelos advogados Victor Azuaga e Albino Ramírez, a defesa apresentou uma denúncia contra os integrantes do Tribunal de Sentença, presidido por Zelaya, por “prevaricação e produção de documentos não autênticos”, atuando com parcialidade, falta de independência e arbitrariedade.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

“Massacre de Curuguaty foi planificado. Tiros certeiros vieram do helicóptero”

Advogado dos sem-terra do Paraguai, Victor Azuaga denuncia “ação militar com propósitos muito bem definidos”. Golpe de Estado derrubou o presidente Fernando Lugo uma semana depois

Leonardo Wexell Severo, de Assunção

Para o advogado Victor Azuaga, as peças do enorme quebra-cabeça do “confronto” que matou 11 camponeses e seis policiais em Marina Kue, no município de Curuguaty, no dia 15 de junho de 2012 ficaram mais encaixadas do que nunca: “Está claro que foi um massacre planificado, com propósitos muito bem definidos”.

Frente à comoção nacional que se seguiu ao sangrento despejo, somada ao ensurdecedor bombardeio midiático e à prostração do governo de Fernando Lugo em dar respostas a crimes pelo quais não era responsável, o presidente foi submetido a um processo de impeachment e apeado do poder sete dias depois.



sexta-feira, 3 de julho de 2015

Barbárie: a descoberta dos arquivos do terror na Guatemala

Arquivos da Polícia Nacional. Foto: Daniel Hernández Salazar
Há dez anos, no dia 5 de julho de 2005, foram encontradas mais de 80 milhões de páginas com assassinatos e desaparecimentos de oposicionistas. Desde a derrubada do governo democrático de Jacobo Árbenz pela CIA, em 1954, mais de 250 mil pessoas morreram.
Leonardo Wexell Severo

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Livro “A CIA contra a Guatemala” relata experiências do ComunicaSul


Obra de Leonardo Severo com fotos de Joka Madruga será lançado no próximo dia 23 em São Paulo

Como parte da campanha de solidariedade à nação maia, será lançado no dia 23 de junho (terça-feira), em São Paulo, o livro A CIA contra a Guatemala: movimentos sociais, mídia e desinformação (Editora Papiro, 160 páginas, selo Barão de Itararé), do jornalista Leonardo Wexell Severo, com fotos de Joka Madruga.
Compondo o coletivo ComunicaSul, Leonardo e Joka visitaram a Guatemala em 2013 ao lado da assessora sindical Leandra Perpétuo, da professora Monica Fonseca Severo e do cineasta Caio Plessmann. O farto material coletado em mais de dois ml quilômetros de viagens por fazendas, fábricas e portos se transformou num vídeo, que será lançado ainda este ano.
O foco central da denúncia são os abusos contra os direitos humanos e as perseguições antissindicais, que têm sido a tônica do governo guatemalteco. Prova disso é que o país centro-americano se mantém no pódio dos campeões mundiais de assassinatos e desaparecimentos de lideranças, o que tem repercutido nos salários brutalmente arrochados, nos direitos precarizados e no índice insignificante de sindicalização de 2,2%, reduzida a 1,6% no setor privado.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Mil mentiras sobre a Venezuela

Por Juliano Medeiros*

Nesta quarta-feira, ao ler as matérias das editorias internacionais dos principais jornais do país, me deparei, na seção “mundo” da Folha de São Paulo, com uma notícia que trazia o seguinte título: "Projeto venezuelano prevê restringir eleição de deputados da oposição". Intrigado com a chamada, li o texto atentamente.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A vitória da juventude peruana traz perspectiva de unidade para a esquerda


Depois de cinco grandes manifestações, os parlamentares do pais se viram obrigados a revogar a Lei Trabalhista Juvenil, que flexibilizava direitos trabalhistas. Esta foi a primeira vitória da unidade popular em anos no Peru
Por Mariana Serafini, na Fórum
Recentemente o Congresso do Peru aprovou a Lei Trabalhista Juvenil, cujo objetivo era flexionar os direitos trabalhistas para as empresas que contratassem jovens entre 18 e 24 anos. Com a lei, os recém-contratados perderiam uma série de direitos conquistados com lutas históricas. Porém, a juventude peruana se uniu e tomou as ruas; depois de cinco grandes manifestações, os parlamentares se viram obrigados a revogar a lei. Esta foi a primeira vitória da unidade popular em anos no país.