terça-feira, 17 de outubro de 2017

Pelo 4º ano consecutivo, Bolívia é o país onde PIB mais cresce na América do Sul


Governo de Evo Morales avança devido a crescentes investimentos públicos, fortalecimento do mercado interno e fomento à produção nacional

Leonardo Wexell Severo

A Bolívia é o país cuja economia mais vai crescer em 2017, sendo o quarto ano consecutivo de liderança no desenvolvimento sustentado do Produto Interno Bruto (PIB) na América do Sul. Esta é a projeção uniforme de organismos tão distintos quanto o Banco Mundial (BM), que projeta avanço de 3,9%, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), crescimento de 4% e o Fundo Monetário Internacional (FMI), de 4,2%.

Na avaliação do governo Evo Morales, este é o resultado do Modelo Econômico Social Comunitário e Produtivo vigente desde janeiro de 2006, sustentado em seis alicerces: retenção dos excedentes econômicos que gera o país para o reinvestimento em projetos de desenvolvimento; redistribuição da renda e reativação do mercado interno; crescente investimento público; elevada poupança interna; articulação do capital financeiro com o capital produtivo e a diversificação econômica, com o investimento em obras de infraestrutura e novas empresas estatais.
“Destes seis pontos, acredito que o fundamental para o nosso desenvolvimento é a retenção do excedente para que a riqueza não se vá, seja investida no país”, declarou o vice-presidente Álvaro García Linera, durante o 10º Encontro de Economistas da Bolívia, realizado na última quinta-feira, em Santa Cruz de la Sierra.
Na avaliação do presidente Evo Morales, a economia boliviana cresceu de forma sustentada graças à nacionalização dos hidrocarbonetos, em 2006, e a retomada das empresas estratégicas para o estado. Entre outras importantes instituições nacionalizadas, citou Evo, estão a Entel (Empresa Nacional de Telecomunicações, a ENDE (Empresa Nacional de Eletricidade e a YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos). No caso da YPFB, a principal riqueza do país, a nação “recuperou a propriedade, a posse e o controle total e absoluto”, invertendo a lógica neoliberal e privatista que remunerava as transnacionais com 82% dos recursos e deixava apenas 18% com o Estado. Agora, o país fica com 82% para investir no seu desenvolvimento e o capital estrangeiro é remunerado com 18%.
Neste momento, o governo prioriza a produção de lítio, principal insumo para o desenvolvimento de baterias elétricas descartáveis e recarregáveis, uma vez que o país tem 47,26% das reservas mundiais e, no Salar de Uyuni, a maior jazida do planeta. Com o compromisso de progredir de forma independente, desde 2008 tem se investido em um projeto de industrialização soberana 100% estatal, sob a supervisão da Corporação Mineira da Bolívia (Comibol). Para fortalecer o processo, em 2010, foi criada a Empresa Boliviana de Recursos Evaporísticos (EBRE), encarregada da exploração, comercialização e industrialização do lítio. Em agosto de 2016, em vez de exportar o produto bruto, sem agregar valor - como o fazem a Argentina e o Chile -, a Bolívia exportou suas primeiras 10 toneladas de carbonato de lítio para a China. Encerrado o projeto piloto, agora o país andino se prepara para a produção de carbonato de lítio “grau bateria”. Frente a um crescimento exponencial da demanda, particularmente com o uso em automóveis, a projeção é que a produção mundial de lítio subirá de 200 mil para 300 mil toneladas, com a Bolívia cobrindo 6% do total.
Nos últimos 11 anos – período em que se encontra à frente do governo – Evo reduziu os níveis de pobreza pela metade com crescentes investimentos na área social, mantendo uma taxa média de crescimento do PIB sempre na média dos 5%. A extrema pobreza que era de 38,2% baixou para 16,8% e vem sendo reduzida paulatinamente com o avanço da política de redistribuição de renda adota. “A renda dos 10% mais rico da população superava em 128 vezes a dos mais pobres. Agora esta diferença se reduziu a 37 vezes”, explicou o presidente, para quem os níveis de desigualdade social ainda se encontram em patamares inadmissíveis.
Graças ao apoio cubano, o índice de analfabetismo que era de 13% despencou para 2,8%, com o país sendo reconhecido já em 2014 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), livre desta chaga. Também na área da saúde, com o investimento na construção de 47 novos hospitais e mais de três mil postos médicos, somada à solidariedade cubana, houve uma redução drástica nas taxas de mortalidade infantil e desnutrição crônica, do ponto de vista das conquistas democráticas, mais de 50% de seus 166 parlamentares são mulheres, com 41 vagas ocupadas por representantes dos povos indígenas e 29 por jovens.